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Rafael quer fazer disco de Radamés com a Osinpa

Apesar de estar com pouco tempo livre (dia 29, faz um concerto-solo na Sala Cecília Meireles, lançando seu novo elepê) Rafael Rebello pretende antes mesmo de viajar a Salvador - onde terá início a nova temporada de "Pescador de Pérolas" - fazer um contato com o maestro Alceu Bochino, para levar a ele uma idéia importantíssima para a Sinfônica do Paraná: a gravação de um Concertino para Orquestra e Violão, de Radamés Gnattali, a ser feito ao vivo, para edição inclusive em laser. Com "Rafel Rebello interpreta Radamés Gnattali" (Visom Comercial Fonográfica, março/87), produzido por Carlos de Andrade, Rafael iniciou aquele que considera o seu mais caro projeto: gravar toda a obra para violão de seu maior mestre e amigo, Radamés Gnattali. As obras-solo - como as sete peças deste primeiro elepê - não constituem problema, já que basta um estúdio de som, algumas horas, e a fita fica pronta para ser industrializada. Mas há aquelas peças que Radamés compôs pensando em violão e orquestra e que para serem gravadas precisam de uma boa sinfônica. Com os custos de estúdio e de hora profissional de cada músico, uma gravação com orquestra não fica por menos de Cz$ 500 mil. Assim, Rafael pensa, com estusiasmo, na possibilidade de vir a Curitiba, aqui passar o tempo necessário para ensaiar com a nossa Sinfônica, fazer apresentações no Guaíra e, gravados ao vivo os concertos, ser extraído o material para os discos que a Visom editará. no Brasil, em produção convencional - e no exterior, possivelmente em laser. xxx Dedicando-se a Radamés Gnattali, gravemente enfermo há um ano, Rafael tem se desdobrado em atenções ao grande pianista, maestro e arranjador. Foi Rafael que, há alguns meses, providenciou o internamento de Radamés numa clínica geriátrica na Barra da Tijuca e ali, sempre que está no Rio de Janeiro, passa horas, executando ao violão as peças que Gnattali tanto aprecia. Tendo sofrido um segundo derrame, sem poder falar, o velho maestro (81 anos), tem o conforto de Rafael e alguns outros amigos, que não o esquecem nestes últimos dias. Rafael, apesar de toda sua juventude, tem uma identificação muito grande com Radamés. Aluno de Jaime Florescente ( o Meira, 1909-1982), o grande mestre do violão de sete cordas, seria entretanto na Camerata Carioca, da qual Radamés Gnatalli exerceu participação fundamental, que Rafael teve sua grande vivência musical. E foi justamente em Curitiba, graças a visão de Hermínio Bello de Carvalho e ao apoio que, na época, o então secretário da Comunicação Social, Cleto de Assis, deu ao conjunto que a Camerata fez dois históricos concertos - "Tributo a Jacob do Bandolim", na noite de 9 de agosto de 1979, em homenagem aos 10 anos da morte de Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt, 1918-1969), e o "De Vivaldi a Pixinguinha", no auditório Bento Munhoz da Rocha Neto. Os dois concertos foram gravados - o segundo aqui mesmo em Curitiba, no Sir, resultados em documentos indispensáveis da música popular brasileira. Justamente, por guardar lembranças daqueles momentos marcantes da Camerata Antíqua, com Radamés Gnatalli então em plena forma, rafael Rebello pensa, agora, em fazer um disco com a Sinfônica. Uma chance para a nossa orquestra - até hoje sem nenhuma gravação - participar de um projeto importantíssimo, destinado a ter a maior repercussão artística e que terá custo zero - já que Rafael e a etiqueta Visom se unirão aos nossos músicos e ao maestro Alceu Bochino para um concerto maravilhoso. Vamos ver como a idéia será recebida a até que ponto o advogado René Dotti, secretário da Cultura, saberá se empenhar para que ao menos isto possa ser realizado a curto prazo - dentro do cipoal de projetos da atual administração.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Tablóide
17
20/05/1987

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