Login do usuário

Aramis

Artigos por data (1987 - Março)

Sambas-de-Enredo, o som que as escolas adotaram

Exatamente há 20 anos passados, o inesquecível Sérgio Porto (Rio de Janeiro, 1923-1968), que com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta ficaria na história da crônica e do humor em nosso País, ironizava a tendência das Escolas de Samba do Rio de Janeiro em complicarem cada vez mais os seus sambas-de-enredo. "Samba Do Criolo Doido", lançado pelo Quarteto em Cy, ficou com imagem crítica de um modismo e passou a significar, inclusive, coisa complicada, absurda, maluca.

Natal carnavalesco sai da lenda para chegar à tela

Desde ontem, além das câmeras de televisão e vídeo-teipe também modernas unidades de 35mm estão documentado o Carnaval carioca, especialmente cenas do desfile das grandes Escolas (que hoje a noite têm sua disputa na Passarela do Samba). Mais uma vez, cineastas que se voltam a temática carnavalesca aproveitam o maior espetáculo popular do mundo para rodar ao vivo, com milhares de figurantes, seqüências que, em termos de produção montada seriam impossíveis de ser feitas.

O Carnaval no cinema ao longo de 8 décadas

Historicamente, talvez o primeiro cinegrafista a registrar o carnaval carioca num filme montado e exibido comercialmente foi Antônio Serra, que em 1909 apresentava "Pela Vitória dos Clubes Carnavalescos". Sete anos depois, Eduardo Neves já realizava "Pierrô & Colombina", mesmo título que Louis Delao daria a um filme em 1919.

A época de ouro dos sambas e marchinhas

Uma forma agradável, alegre e digestiva de se ter uma visão musical do comportamento do brasileiro, especialmente do carioca, entre 1900/1976 seria a de se ouvir os sucessos do Carnaval durante estes 86 anos de festa de Momo.

Atrás do Trio Elétrico, só não vai quem já morreu...

A música carnavalesca tradicional pode ter desaparecido em termos de novas produções (embora os clássicos continuem a ser os mais cantados nos salões), o samba-de-enredo transformou-se num gênero de alta rentabilidade, algumas gravações de artistas famosos (ou não) conseguem ultrapassar o sucesso temporário e serem cantados nos carnavais. E ao lado de tudo isto, no verão de cada ano, especialmente com a força e vibração nordestina, surgem grupos, conjunto e intérpretes que caem no agrado popular.

Geléia Geral

Transformado em superstar e hoje um milionário do samba, Agepê foi (ao lado da paraense Fafá de Belém) o único a permanecer no elenco da Sigla/Som Livre, agora transformada apenas numa editora de trilhas sonoras de produções da Globo e discos-montagens. E o novo disco de Agepê saiu há pouco, a tempo de ganhar os impulsos carnavalescos - embora seus sambas nada tenham nesta linha. Entretanto, com a força do vídeo e seu esquema de fácil consumo, Agepê deve vender bem. Entre as faixas, "De Todas As Formas", "Errado Fui Eu", "Lindo É Você Ser A Minha Mulher" e "O Samba É A Minha Cachaça".

Albino Pinheiro, um carioca 100%

Para muitos, ele não é apenas a imagem do carioca perfeito. É a própria griffe do Carnaval, da alegria, da animação e das festas populares. Sobrinho de um dos grandes compositores brasileiros - Custódio Mesquita, advogado, ator bissexto (apareceu, entre outros filmes em "Lucia McCartney" e agora será produtor-ator de um filme sobre Natal da Portela, que Paulo César Sarraceni começa a rodar nesta semana), a classificação que melhor se ajusta a Albino Pinheiro é a de "Agitador Cultural".

Ricardo Cravo, eis o novo presidente do Curitibano

Salvo surpresas de última hora, o Clube Curitibano terá a partir de domingo um novo presidente: Ricardo de Quadros Cravo, 45 anos, advogado, técnico de Marketing, extenso curriculum como um dos mais bem sucedidos executivos da nova geração. Ontem a noite, os 60 membros do Conselho Deliberativo reuniram-se para homologar os nomes dos candidatos à presidência. Até há poucas horas, Ricardo Cravo era candidato único a suceder o advogado Fabiano Campello, 52 anos, que renunciou à presidência menos de dois meses após ter sido eleito.

Bons sambas-de-enredo nas escolas de samba

Uma agradável surpresa: ao menos em termos de samba-de-enredo as 12 Escolas de Samba que desfilaram na Avenida Marechal Deodoro não decepcionaram. Com maior ou menor voltagem criativa, todas as agremiações carnavalescas saíram com sambas próprios, compostos por autores da cidade e que, dentro de suas limitações buscaram contar e cantar o enredo pretendido. Considerando-se que até há menos de dez anos eram poucas as escolas-de-samba que apresentavam sambas próprios, desfilando ao som de sambas e marchinhas tradicionais, pode-se dizer que houve uma evolução.

No campo de batalha

O prefeito Roberto Requião convoca amanhã a imprensa para anunciar muitas novidades. Duas delas aqui vão antecipadas. A Prefeitura vai desapropriar "o último bosque no centro da cidade" - nas palavras do próprio alcaide - que é a propriedade de um alqueire, da família Gomm, entre a avenida Batel e a Rua Dom Pedro II, para ali preservar o verde e fazer o "Parque D. Luísa Gomm".

Depois do Carnaval, uma semana com vacas gordas

Depois do Carnaval, a bonança... cinematográfica. Após quase três meses em grandes estréias, nada menos que seis lançamentos interessantes, para todos os gostos. De princípio, temos "A Missão", de Rolland Joffe ("Os Gritos do Silêncio"), rodado quase na divisa do Paraná com a Argentina há menos de dois anos, Palma de Ouro em Cannes - 1986 e com oito indicações ao Oscar no próximo dia 30, inclusive o de melhor filme. No Cine Itália, já em exibição.

Marie, um hino à coragem feminina

"Tenso, vibrante, dramático, comovente: este é um filme a que se assiste na ponta da cadeira, do começo ao fim". Normalmente econômico e até ácido em seus elogios, Edmar Pereira, 43 anos, crítico do "Jornal da Tarde" - dono de um dos textos mais elegantes da imprensa cinematográfica, não fez por menos: enalteceu "Marie" (Marie, A True Story), quando de seu lançamento em São Paulo, há seis meses.

Em época de Quaresma, os livros religiosos

O Carnaval passou e entramos na Quaresma. Portanto, registrem-se alguns livros de temas espiritualistas que apareceram recentemente em bem cuidadas traduções. Por exemplo, de Fulton Oursler temos "A Maior História De Todos Os Tempos" (292 páginas, Cz$ 89,90, tradução de Álvaro Pinto de Aguiar). Este livro é resultado da série de programas, em forma de radioteatro, que a American Broadcasting Company apresentou a partir de janeiro de 1947.

Nossos arquitetos levam seu "know-how" ao Exterior

Na década de 60, a arquitetura do Paraná projetou-se nacionalmente com profissionais de Curitiba vencendo importantes concursos. Agora, nesta segunda metade dos anos 80, alguns arquitetos e urbanistas paranaenses - ou aqui radicados - alçam vôos maiores, convocados para projetos internacionais.

E também a Embap não quer perder suas bonitas telas

Não é só a Associação de Pais e Mestres do Colégio Estadual do Paraná que, se mostra disposta a resistir à "requisição" de seu patrimônio artístico para o discutível Museu da Arte Paranaense. Professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná deverão dar um sonoro "não" às pretensões da Secretaria da Cultura em limpar as paredes daquele estabelecimento de todos os quadros que há muitos anos ali se encontram. xxx

"A Missão", a super estréia da semana

Há uma semana que a imprensa nacional abre o máximo de espaço à mais importante estréia da temporada: "A Missão" (Cine Itália, em exibição desde ontem). Palma de Ouro em Cannes-86, oito indicações ao Oscar-1987, rodado ao lado argentino das Quedas do Iguaçu há menos de dois anos, esta produção dirigida por Rolland Joffe ("Os Gritos do Silêncio/The Killing Fields"), representou para a produtora inglesa Goldcrest a grande salvação.

"Highlanders", um filme para consumo

Não faltou nada em termos de marketing. Há violência, ação, romantismo, viagem pelo tempo e até uma perseguição automobilística - fórmula que desde "Bullit" os produtores julgam indispensável para um filme ter boa bilheteria. Na primeira seqüência há até uma luta de boxe. Crimes, cabeças decepadas, belas paisagens e uma história de amor que atravessa 4 séculos.

CEP diz não à saída dos seus quadros para o MAP

Presidente da Associação de Pais e Mestres do Colégio Estadual do Paraná, o advogado Anfrísio Siqueira não aceita a decisão da secretária Suzana Maria Munhoz da Rocha Guimarães em "requisitar" a transferência das telas de pintores paranaenses que fazem parte do acervo do centenário estabelecimento. Na semana passada, Anfrísio já municiou suas metralhadoras verbais contra esta proposta da Secretaria da Cultura em limpar as salas do Colégio Estadual para recolher valiosas telas de mestres da pintura de nosso Estado que há décadas ali se encontram. xxx

Requião quer espírito de Olinda em nosso Carnaval

O Carnaval passou, ficaram lembranças e algumas alegrias - poucas serpentinas e confetes, que, ao menos na avenida Marechal Deodoro foram mercadorias raríssimas. Alegria para a Mocidade Azul, que reconsquistou o troféu de campeão do concurso oficial - já que havia perdido no ano passado para a sua arquirival, Dom Pedro II, justamente no empate da bateria. Esta ano, foi um ponto a mais neste quesito que lhe deu uma espremida vitória de 73 por 72 pontos. Marinho Gallera, 37 anos, compositor, que julgou este difícil quesito, foi rigoroso.

Colorado e Não Agite, final sem "happy end"

A crônica do Carnaval curitibano oferece múltiplos aspectos para análises que, sem sociologuês, podem, entretanto, justificar teses acadêmicas. Por exemplo, como se explica que duas das mais tradicionais escolas de samba decaíram como aconteceu com a Não Agite - que este ano nem desfilou; e a Colorado, que não se tendo apresentado no ano passado, voltou agora, no melancólico terceiro grupo, na noite de terça-feira, com enredo "Voltei Para Ficar" - ao lado da Unidos de Colombo - única Escola de Samba da Região Metropolitana - e a Leão de Ouro.
© 1996-2016. tabloide digital - 35 anos de jornalismo sob a ótica de Aramis Millarch - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Altermedia.com.br