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Aramis

Artigos por data (1987 - Dezembro)

Final sem protestos mas atrasos e algumas gafes

Com muito humor e informalidade, Ney Sroulevich assumiu os imprevistos: - É aquela história! A gente programa tudo, planeja, mas na hora afinal acabam acontecendo os fatos inesperados. O importante é que estamos aí.

Acertos e zebras na premiação do FestRio

Em absoluto, não pode-se dizer que o resultado foi zebra total: desde quinta feira, 26, quando "Out of Rosenhein" foi exibido na sessão para a imprensa, o filme alemão conquistou corações e mentes da imprensa - testemunhada pelos aplausos ao final. Igual reação ocorreu na sessão das 18 horas e a partir daí se passou a ter o filme dirigido por Percy Adlon como o grande favorito do IV Festival Internacional de Cinema, Televisão e Vídeo do Rio de Janeiro.

Melodia Sentimental de Olivia Byington

Livre e transparente, surge no disco de Olivia Byington, "Novo, e com a minha cara", diz ela, cara feliz, com a tranqüilidade do artista que se encontra com sua essência que "cria por necessidade de criar", sem concessões, "como quem pinta um quadro, como quem escreve um poema". Melodia Sentimental, o LP é música de câmara. Requintado e popular. E conversa de poucos (e ótimos) instrumentos, recuperando o clima de recital que Olivia, com seu companheiro Edgar Duvivier no sax, levou dois anos a cantar nos palcos mais diversos, para casas cada vez mais cheias.

Índios e canoas deram o Tucano para Maria Luiza

Comparado a outros países do mundo, o Brasil tem uma liderança nos curta-metragens. Assim não é de estranhar que, a exemplo do ano passado o Tucano de Ouro nesta categoria tenha novamente ficado entre nós. "Cidadão Jatobá", de Maria Luiza Aboim, foi o grande vencedor, com sua linguagem simples, despojada - mas ao mesmo tempo fiel antropologicamente a cultura dos índios Iawalapiti, do Alto Xingu.

Só agora, 47 anos depois, o samba que foi ao navio

Dona Neuma não pode comparecer. Fez falta. Também dona Zica - viúva de Cartola, que a acompanharia, na última hora ficou impossibilitada de se deslocar de Mangueira para Ipanema, onde, na noite de quarta-feira, 25, no pequeno Doble Dose, aconteceu o mais aguardado lançamento musical em termos históricos: o disco Native Brazilian Music, gravado há 47 anos a bordo do navio Uruguai, sob a supervisão do maestro inglês Leopoldo Stokowski e organização do maestro Villa-Lobos - sob cuja égide sai esta edição de 3 mil exemplares da mais rara gravação de nossa MPB, dizia:

Os filmes do mercado (I) - "Casa Grande & Senzala", ainda no papel, já é negociado no FestRio

Alguém já viu um filme coreano? E as produções da Turquia chegaram alguma vez em nossas telas? E o cinema mais recente da Polônia e União Soviética tem alguma chance de conquistar o cada vez mais arredio público brasileiro - que vem caindo de ano a ano?

Os filmes do mercado (I) - Até o cinema turco veio para fazer bons negócios

Na mostra competitiva do FestRio tem chegado filmes de países distantes - totalmente desconhecidos no Brasil. Se este ano o Egito e a Índia estiveram ausentes, houve a agradável surpresa da Turquia, muito bem representada por um filme moderno, numa crítica sutil a publicidade e a televisão: "Oh Belinda!", de Atif Yilmaz - que no último FilmFestspiele, em Berlim, havia sido apresentado na mostra Panorama 87.

Nos passos do "Potemkin", o grande premiado da televisão

Chega a ser cruel para quem busca a informação audiovisual e procura se atualizar com o que se faz de novo no mundo. O porre de imagens que caracteriza cada vez mais o FestRio faz com que se ao menos os longa-metragens, em competição, possam ser vistos, ou na sala Glauber Rocha ou nos cinemas da cidade, nos quais são reprisados, em relação aos vídeos e programas de televisão poucos conseguem acompanhar.

Agora começou a maratona do 9º Festival de Havana

Guido Araújo, professor universitário, vice-presidente da Fundação Cultural da Bahia e que há 16 anos organiza as jornadas de cinema naquele Estado, assistiu ao FestRio e já na segunda-feira embarcava para Havana. Será membro do júri de curta-metragem do 9º Festival Internacional del Nuevo Cine Latino-americano, que inicia hoje na Capital de Cuba estendendo-se até, o próximo dia 17.

Cada festival na busca de suas características

Se internacionalmente a agenda dos festivais de cinema é intensa - com até cinco mostras acontecendo a cada mês, sejam de categoria "A" (nas quais só concorrem filmes inéditos), ou promoções menores, alguns de temas específicos, no Brasil também a multiplicação de eventos cinematográficos começou a preocupar os organizadores de forma a que não aconteçam promoções paralelas.

Os filmes do mercado (II) - Com belos desenhos, os coreanos buscam espaços

Houve época em que o nome de Walt Disney era sinônimo de desenho animado. Afinal, a bem organizada indústria americana impôs durante décadas um estilo de cinema animado que tinha nas criações desenvolvidas pelo pioneiro Walter uma escola de sucesso. Felizmente, hoje há uma diversificação imensa no cinema de animação, que especialmente em alguns países - como Canadá, a Polônia, a Checoslováquia e a União Soviética, cresceu de forma extraordinária.

Os filmes do mercado (II) - Da Bulgária a Nova Zelândia, os filmes que ninguém conhece

O cinema do Leste europeu, de repúblicas populares que tem fortes indústrias cinematográficas, também começa a se expandir, ao menos em amostragens. Embora no Brasil, embaixadas de alguns países socialistas só agora comecem a organizar ciclos informativos, a abertura de canais para possíveis negociações de filmes da Bulgária, Checoslováquia, Polônia e outros países - como o mercado paralelo do FestRio - mostra o interesse crescente em que um outro lado do mundo chegue as nossas telas.

A negritude presente nas telas do FestRio

A ausência de "Cry Freedom" na sessão de abertura do FestRio não impediu que esta quarta edição fosse marcada pela solidariedade a África do Sul, com homenagens ao casal Mandela. Entretanto, foi lamentável que a Universal Picture e os produtores desta superprodução tivessem poucos dias antes da abertura da mostra, vetado a vinda de "Cry Freedom" para abrir o Festival.

"Reencontro", o poema da farsa abolicionista

Ele é ainda pouco conhecido fora de circuitos específicos: MAZINHO (não confundir com o nosso Carlos Fernando Mazza, o "Mazinha", que é animador cultural). Mazinho foi o poeta convidado para subir ao palco da Sala Glauber Rocha, na abertura do FestRio, e ler o seu poema em homenagem ao casal Mandela. Bom de papo, o poeta fez mais: ao dedicar o pema "Reencontro" não só ao Mandela, mas também "À farsa existente, subliminarmente, em relação a raça negra.

"Luz", uma iluminada obra-prima africana

Com exceção do curta de 5 minutos "Não Mataram o Sonho de Patrício", no qual Camilo de Sousa e Ismael Vuvo mostram os esforços de uma criança, que tendo perdido os dois braços, vítima de bandidos, continua a estudar, o cinema africano não teve maior participação competitiva do FestRio. O curta de Moçambique ganhou premiação do Centro Internacional do Filme para a Infância e Juventude, mas foi pouco visto, já que teve apenas uma projeção.

Os filmes do mercado III - Afinal, quantos dos filmes do FestRio chegarão aos cinemas?

Uma pergunta natural e justa que se faz: - E os filmes do FestRio quando serão exibidos para o grande público?

Viva o cinema do 3º mundo (mesmo quando é medíocre)

Há quatro anos, quando o FestRio foi idealizado em suas características internacionais, uma posição ficou bem clara, especialmente por parte de dois de seus diretores - Nei Sroulevich e Cosme Alves Netto: antes de tudo, seria uma grande mostra voltada ao cinema do Terceiro Mundo.

No campo de batalha

Um duplo e imperdível espetáculo neste domingo, no auditório da Reitoria. Numa iniciativa do incansável Gersinho Biarritz, o concerto do quarteto Neegaard-Bissoli, da Dinamarca, será aberto com uma dupla da pesada: o violonista Sebastião Tapajós e o pianista Gilson Peranzzetta, que acabam de fazer um disco para o Visom. HFO.6;EF6;FH Nem precisava tanto! Tião e Gilsom, em si, já justificam um espetáculo. E o Quarteto liderado por Niels Neegaard, veterano em vários grupos de jazz e rock na Dinamarca, vem bem precedido de boas críticas. A conferir.... xxx

Milton & Djavan, para muito ouvir e refletir

Final de ano, temporada dos discos mais importantes - em termos comerciais e artísticos. "Francisco", o novo álbum de Chico Buarque, agora na RCA, está saindo em seqüência aos lps de Martinho da Vila e Alcione, outros campeões de vendagem - afora Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga e Beth Carvalho. A Polygram vem de "Caetano", enquanto a CBS tem o creme-do-creme com o aguardadíssimo álbum de estréia de Milton Nascimento ("Yauaruetê") e Djavan ("Não é Azul Mas é Mar"), com mais algumas jóias de ourives sonoro que este alagoano é mestre.

O Brasil vivo de Aloisio Magalhães

"O cinema documentário é o verdadeiro cinema" (Aloísio Magalhães) Dois dos mais importantes filmes do FestRio acabaram desapercebidos no porre audiovisual que caracteriza uma mostra desta dimensão: "Memória Viva", de Octavio Bezerra e "Brascuba", de Orlando Senna e Santiago Alvarez. O primeiro, no último dia da competição, acabaria esquecido se não tivesse merecido ao menos um prêmio especial do júri - dividido com as produções vindas da China Comunista ("A Última Imperatriz") e União Soviética ("Kin-dza-dza").
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