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Aramis

Artigos por data (1988 - Março)

Consulado fecha mas o Goethe continuará

O próximo fechamento do Consulado Geral da República Federal da Alemanha embora represente um esvaziamento econômico e, naturalmente diplomático para o Paraná, em termos de representatividade, não influirá na área cultural. Isto porque é o Goethe Institut/Instituto Cultural Brasileiro Germânico que desenvolve entre nós o mais ativo programa de eventos culturais mantidos por recursos externos.

Almino, autor de boas idéias e seu romance

Há algumas semanas registramos que a coincidência de seu primeiro romance - "Idéias para onde Passar o Fim do Mundo" (Brasiliense, 208 páginas), ter sido lançado em fins de outubro do ano passado, quando sua esposa, a artista plástica Bia Wouk encontrava-se em Curitiba, dando a luz a sua primeira filha, impediu que o diplomata e escritor João Almino pudesse cuidar de uma noite de autógrafos por aqui.

No campo de batalha

Apesar do aperto (necessário) que o governador Álvaro Dias deu no festival de servidores que estavam viajando para o Exterior, há ainda os que conseguem justificar suas esticadas internacionais. Por exemplo, Ernani Francisco da Rosa Filho, técnico da Superintendência dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente - Surehma, vai passar nada menos do que dois anos - a partir de 15 de abril até 1990, na Alemanha Ocidental, fazendo seu curso de Doutorado em Geologia/Hidrogeologia junto a Universidade Técnica de Munique. xxx

Mussa, o amigo e o profissional

A espontaneidade nas manifestações de solidariedade e apoio que vem recebendo desde que houve o registro de que está sendo processado pelo senador José Richa, comprova um fato simples: poucos profissionais da comunicação merecem tanto respeito e admiração como Mussa José Assis, diretor-redator-chefe de O Estado do Paraná.

No campo de batalha

O Movimento Tradicionalista Gaúcho está entrando em vermelho nas finanças. Por isto mesmo a secção regional, que tem o "Picolouco" (Zeferino Vanjan) como coordenador, programou um jantar festivo no próximo dia 4, no restaurante "Asa Branca". Com direito a bebida, comida e show do grupo (gaúcho, tchê!) Os Modernos Monarcas, o ingresso custa apenas Cz$ 500,00 por pessoa. xxx

Ódio político faz Museu Guido Viaro esvaziar-se

Mesmo com toda a sua formação marxista, a imagem que o advogado Carlos Frederico Marés de Souza, secretário municipal da Cultura está passando é a de que seu livro de cabeceira é "1984" do inglês George Orwell (1903-1950). Pouco a pouco, Marés e sua equipe de confiança da antiga Fundação Cultural de Curitiba, tal como o Grande irmão no romance de Orwell, publicado há 39 anos, estão preocupados em fazer desaparecer da cidade qualquer marca, em termos culturais, que lembre a administração Jaime Lerner.

Pouco a pouco, apaga-se nosso passado cultural

O Centro de Criatividade no Parque São Lourenço mudou de nome. A Casa da Memória também. Da Casa da Gravura ninguém sabe responder exatamente o que aconteceu e ainda nesta semana o artista Orlando Silva comentava aonde foram parar as preciosas gravuras, que faziam parte de seu acervo. O Teatro do Paiol há muito está abandonado, com uma programação das mais irregulares. Até o gramado que circunda o prédio deixou de ser aparado há meses.

Maristela, última esperança da arte

O exemplo do Museu Guido Viaro - que poderá inclusive perder até a razão de existir, no momento em que o advogado Constantino Baptista Viaro, magoado e ofendido com a forma que a política cultural naquele espaço vem se desenvolvendo, decida retirar o precioso acervo - é gritante.

Blues, o canto azul e sofrido

Memphis Slim, cujo verdadeiro nome era Peter Chatman, morreu dia 24 de fevereiro em Paris. Quem foi Memphis Slim? Foi um pianista e cantor de blues, nascido em 1915 e cujo maior sucesso foi "Everyday I Have the Blues", popularizada pela orquestra de Count Basie (1904-1984) nos anos 40.

Na "Encruzilhada" do som que o Diabo gosta

Uma filmografia sobre o Blues seria extensa - mas contra a maioria dos títulos inéditos para o público brasileiro. Afinal, os bluesmen de bluesingers que apareceram nas telas, em documentários, filmes de ficção ou mesmo cinebiografias não estabeleciam, até agora, uma empatia maior com o público por falta de informação. A mesma desinformação a que está condenando um dos mais interessantes filmes de 1986. "A Encruzilhada" (Crossroads, 86, de Walter Hill) a um imerecido esquecimento. Exibida apenas uma semana em São Paulo, pirateada em vídeo, a própria Columbia desinteressou-se de programá-lo.

As Conseqüências do fechamento do Consulado Geral da Alemanha

A República Federal da Alemanha tem um novo embaixador, Heinz Diettmann, que assumiu as funções há menos de um mês em Brasília. De princípio, não há previsão de viagem oficial do diplomata ao Sul do Brasil, mas com a decisão do governo daquele país em fechar o Consulado Geral para os Estados do Paraná e Santa Catarina, por seu gabinete nos próximos dias.

No campo de batalha

De passagem para Porto Alegre, o casal Elton Medeiros/Neusa Fernandes parou ontem em Curitiba. Elton, para quem não sabe, é um dos mais importantes compositores e pesquisadores do samba, parceiro de Paulinho da Viola, com quem começou a partir do histórico "Rosa de Ouro" (1965). Tem três elepês gravados, belíssima voz e é sobretudo um produtor voltado para as raízes da MPB. xxx

A programação continua na base dos trapalhões

Incrível, fantástico, extraordinário! Deu a louca na cabeça dos programadores dos cines Plaza e Lido II. Só assim se explica que um filme menor, quase uma pornoprodução classe "B" - "As Prisioneiras da Selva Amazônica", produção da Boca do Lixo de São Paulo, direção de um certo Conrado Sanches, ganhe estréia no Plaza (desde ontem) e Lido II (a partir de amanhã). Quando há tantos filmes - nacionais e estrangeiros - a espera de melhores datas, sem falar em reprises excelentes, é incompreensível que duas das melhores salas sejam bloqueadas por uma produção que beira a pornografia.

Uma estréia à japonesa com atraso de 29 anos

Com atraso de nada menos que 29 anos, os curitibanos podem conhecer um filme de Yasujiro Ozu (1903-1963), cineasta japonês que entre 1927/62 realizou 54 filmes marcados por personagens comuns, comédias doce-amargas - "um estilo sóbrio e jansenista, de uma simplicidade e orientalismo absoluto" como escreveu Rubens Ewald Filho em seu "Dicionário de Cineastas". (Em exibição no cine Groff).

Uma leitura visual da saga de Jubiabá

"O bom filme deve ser igual à música. Um supracódigo. O importante é passar a emoção, ser bonito, ter um olhar original". (Nelson Pereira dos Santos em entrevista à jornalista Helena Salem, durante as filmagens de "Jubiabá").

Simão, Serenata do Adeus

Se fosse dado ao bom Simão de Montalverne a opção de fazer a programação de seu funeral, por certo que preferiria, ao invés das lágrimas da esposa Marlene, filho José Renato, filha Eurídice - e dos muitos, muitos amigos - houvesse uma seresta na voz do amigo Sílvio Caldas. Sem nunca ter sido compositor, músico ou instrumentista, Simão foi uma das pessoas mais musicais que conheci. Amava, como poucos, a música brasileira e teve a alegria de ver, em vida, o sucesso internacional de seu filho, Zé Renato.

Palito esperançoso com os novos tempos da Estadual

Palito - o Lourival Pedrassiam, radialista que sabe que o segredo de fazer uma emissora conquistar a audiência (que o diga seu trabalho na Atalaia, desde 1971 dirigindo-a em Curitiba - ver nesta mesma página) é um homem otimista. Tão otimista que acredita que, "desta vez a Rádio Estadual vai deslanchar".

O elefante branco e a sua maldição

O veterano jornalista Roberto Novaes, 60 anos, hoje aposentado das redações, costuma contar, em descontraídos papos, histórias de fantasmas que costumavam assustar os gráficos e mesmo redatores do antigo "Diário do Paraná", quando o órgão associado transferiu-se para suas instalações nas Mercês. Ruídos estranhos, visões alucinantes e outras imagens dignas de filmes como "A Noite do Pesadelo" teriam povoado a imaginação (e realidade) de quem se atreveu a construir um imenso edifício num terreno sagrado - que foi, no passado, cemitério.

As máscaras de Verdi e a Criação de Haydn

Conseqüência ou não do marketing que o jovem (43 anos) Fernando Bicudo soube dourar a sua política de encenação de óperas no Brasil, o glamour renovador de Gerald Thomas, que após o escândalo "Navio Fantasma" no Municipal, prepara-se para uma nova e polêmica montagem - desta vez em parceria com outro notável nome da vanguarda, Philip Glass ("Akh Naten", estréia dia 9 de julho no Municipal do Rio de Janeiro), o fato é que a Ópera, um gênero tradicionalmente caro, elitista e difícil, tem um público cada vez maior no Brasil.

A música vanguardista do alemão Stockhausen

A música contemporânea, em termos eruditos, é praticamente inédita entre nós. Se mesmo na Europa e Estados Unidos os trabalhos de vanguarda de John Cage, do francês Pierre Boulez ou do polonês Krzystoff Penderecki tem tiragens reduzidas, para platéias especiais, imagine-se qual o público que podem alcançar no Brasil, onde mesmo as mais digestivas gravações de música clássica tradicional não atingem 6 mil cópias?
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