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Aramis

Artigos por data (1990 - Março)

No campo de batalha

Ex-radialista, ex-corretora de imóveis, ex-candidata a uma vaga na Câmara de Vereadores, Jeanette Marins ("Jeanette" com dois "t", como a MacDonald faz questão) encontrou-se finalmente: há seis meses vem ganhando seu caviar de cada dia mostrando suas habilidades canoras, desfilando um repertório de boleros, tangos e sambas-canções em duas casas noturnas: a pizzaria Mafia (Rua Petit Carneiro, 76) e a Casa Nilo's Samba & Choro (Rua Mateus Leme, 65). xxx

Phil, uma jovem (e moderna) escola para aprender inglês

O professor Phil Young retorna neste fim de semana dos Estados Unidos com boas novas: a turma de 35 alunos que levou para o curso de verão na Embry-Riddley Aeronautical University, em Daytona, Florida, teve um aproveitamento superior a todas as expectativas. A convivência por dois meses dos estudantes curitibanos numa das mais avançadas universidades americanas - cujos cursos são voltados a aeronáutica e que conta com alunos vindos de várias partes do mundo - fez despertar, inclusive, novas vocações.

Mozart vai editar agora o seu jornal

O empresário artístico Mozart Primo, 38 anos, 19 de atividade na área, vem realizando um bom trabalho em Curitiba. Honesto e dedicado, preocupado em gerenciar temporadas bem sucedidas, seu conceito só tem crescido nos últimos anos e hoje, ao lado de Verinha Walflor, forma a dupla de maior credibilidade na praça. Cada um em seu escritório, relacionamentos nacionais, estão movimentando as agendas para ocuparem os espaços não só do Guaíra mas também de outros locais artísticos do Estado. Verinha, inclusive, tem convites para administrar temporadas nacionais.

Totó, a criança que amava as imagens dos sonhos iluminados

O cinema é infinito - não se mede Não tem passado nem futuro Cada/Imagem só existe interligada à que a antecedeu e a que a sucede (Vinícius de Moraes, 1913-1980; "Livro de Sonetos"). xxx

Um filme de citações

Ao lado da emoção que traz em suas imagens, a empatia para quem sente o cinema em sua dimensão maior, "Cinema Paradiso" - a exemplo de "Splendor" - é também um jogo interessante para os cinéfilos: quem consegue identificar o maior número de filmes que merecem citação explícita em suas projeções na tela do pequeno cinema da aldeia de Giancaldo?

"Paradiso" cinematográfico: os bons filmes estão nas telas

Uma semana com quatro atraentes estréias - uma delas, com toda certeza, entre as melhores do ano - faz com que jogadas às Cinzas deste Carnaval melancólico e sem personalidade que se encerrou, o espectador que não se deixe imbecilizar pela videomania tenha opções de ver filmes no prazer da tela ampla. Pois, para quem ama o cinema, assistir a um filme em 35mm, numa sala especial - mesmo com todos os inconvenientes, é ainda um programa estimulante.

De Bonna ganha o álbum que sua arte merecia

Se a vida editorial no Paraná continua ainda fraca, longe da pujança de um Rio Grande do Sul, por exemplo - algumas luzes se acenderam no túnel cultural. Por exemplo, a editora Scientia et Labor, da Universidade Federal do Paraná, transformou-se de sonho em realidade - conforme registramos em outro texto desta mesma coluna. E na área de livros de arte, temos algumas publicações dignificantes, sem contar que desde que a Casa de Idéias encontre apoio, o talento do Mirandinha ajudará a fazer com que publicações do mais alto nível ganhem forma neste ano.

Leilah tirou caveira de burro da Editora

Há muitos anos que a implantação de uma atuante editora universitária no Paraná era um sonho distante. Mesmo quando um reitor vindo da área empresarial ligada ao comércio de livros - Ocyron Cunha, buscou a competência de uma das mais admiráveis professoras da septuagenária UFPR (Cecília Maria Westphalen) o projeto não deslanchou por várias razões. As (raras) edições que a Universidade Federal do Paraná promovia eram tímidas, sem seqüência e permaneciam praticamente sem divulgação.

Lélio e Bettega falam dos filmes que amaram

Simultaneamente, a bibliografia de cinema é enriquecida com duas oportunas contribuições de críticos paranaenses: "Filmes Vistos e Anotados", de Francisco Bettega Netto (Cadernos do MIS/nº 12, edição do Museu da Imagem e do Som do Paraná, 60 páginas; ainda sem data de lançamento) e "CineAstral - I" de Lélio Sottomaior Júnior (32 páginas, edição do autor, circulação dirigida).

A linguagem das imagens

O primeiro livro sobre cinema que sai este ano é "A Linguagem Cinematográfica" de Marcel Martin, que, em Curitiba, já pode ser encontrado na livraria Ypê Amarelo - cujos proprietários estão interessados em ter a mais completa seção de obras sobre cinema, música e artes plásticas. "A Linguagem Cinematográfica" de Marcel Martin, crítico e que durante muitos anos foi secretário geral da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, é obra da maior importância para se entender, em profundidade, o cinema.

O Brasil cinematográfico nos volumes informativos

Embora ainda raquítica se comparada ao festim de textos que mensalmente são oferecidos aos cinéfilos que dispõem de dólares para importar as dezenas de lançamentos de obras cinematográficas que acontecem nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Itália, a bibliografia cinematográfica vai crescendo no Brasil - em trabalhos originais ou traduzidos. Algumas biografias de artistas e mesmo realizadores emplacaram boas vendas e até ensaios profundos também encontram uma faixa específica de leitores, encorajando que editores de maior visão cultural façam edições importantes.

All That's Jazz

Redes nacionais de televisão abrem espaços para programas jazzísticos, Zuza Homem de Mello, 54 anos, um dos maiores experts na área, começa a produzir e apresentar na TV-Cultura de São Paulo o Jazz Brasil. Cada vez surgem maiores espaços para o jazz. O Free Jazz é um evento hoje totalmente consagrado e, naturalmente, até mesmo as gravadoras que durante anos insistiram em ignorar o gênero começam a investir em sólidas edições.

Blue Note colore sonoramente as nossas noites jazzísticas

Fundado há 3 anos (junho de 1987) o Blue Note Jazz Clube andou meio capengando nos últimos tempos, mas agora, com um novo presidente, o colecionador Caetano Cerqueira Rodrigues, 54 anos, dono do maior acervo em CD em jazz no Paraná (e entre as maiores do País) - e para cuja concretização aplicou alguns milhares de dólares de sua grande fortuna - novos tempos deverão marcar a entidade.

Os spirituals de Satchmo e os blues da grande Bessie

Duas edições absolutamente históricas chegam aos colecionadores: "Louis and the Noly Book" e "The Collection" com Bessie Smith. Dois documentos sonoros, com nomes marcos do jazz tradicional e que merecem ser ouvidos, com a maior atenção. Se Louis Armstrong (New Orleans, 04/07/1900 - Nova York, 06/07/1971), é o próprio sinônimo do jazz e não existe quem não o identifique como a própria imagem da cidade que nasceu, Bessie Smith (Chatanooga, Tenessee, 18/04/1898 - Clarksdale, Mississipi, 26/09/1937) só, hoje, passados 50 anos após a sua morte, começa a ser devidamente apreciada no Brasil.

Bluebird chega ao Brasil

O primeiro grande lançamento de jazz neste ano foi o pacote de oito álbuns da Bluebird, etiqueta ligada ao grupo RCA - no Brasil BMG/Ariola, que havia sido programado para dezembro, mas que, afinal, só saiu no final de janeiro. Apesar disto, quem já conhecia da edição americana esta preciosa coleção - como Zuza Homem de Mello - não teve dúvidas em incluí-la como das melhores do ano, especialmente o magnífico "And his Mother Called him Bill", o melhor de todos os discos do pacote - e um dos maiores momentos da carreira de Duke Ellington.

Peri vem para lançamento do álbum de sua mãe, Dalva

Peri Ribeiro, filho de Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira, 1917-1972) e Herivelto Martins, 78 anos, estará em Curitiba nesta quinta-feira, por uma razão muito afetiva. Emocionado, vem prestigiar o lançamento oficial do "Estrela... Saudade", álbum duplo em que a grande cantora interpreta 30 das mais belas marchas-ranchos.

Mingus, Evans, Herbie e Coleman em bons momentos

Ao lado da CBS, a WEA é a gravadora que tem investido mais maciçamente no jazz (e trazendo também blues e country), embora não se possa esquecer os bravos esforços de Jonas Silva, da Imagem - há 21 anos no mercado, a Bradisco (embora sem qualquer divulgação e critérios em suas produções e, finalmente, a BMG/Ariola, que dispondo ao acervo da RCA, começa a aproveitar melhor o tesouro sonoro que dispõe em seu arquivo.

A época da big bands

Com as mortes de Count Basie (William Basie, Red Bank, New Jersey, 21/08/1904-Florida, 26/04/84), Benny (Benjamin David) Goodman (Chicago, 30/05/1909-Nova Iorque, 13/06/1987) e Woody (Woodrow Charles Herman, Milwaukee, 15/05/1913 - 10/09/87) só restou Dizzy Gillespie (John Birks, Cherow, 21/10/1917) entre os grandes band-leaders, instrumentistas, criadores, improvisadores - enfim figuras exponenciais da época de ouro do jazz.

Eterno Duke Ellington

Nem tudo começou com Satchmo e Duke, mas, sem dúvida, que eles foram os maiores e são, com razão, anos depois de já terem desaparecido, os que ainda mais identificam o jazz. Ambos viveram bastante, deixaram centenas de gravações e fizeram excursões por todo o mundo levando o jazz - incluindo o Brasil - em suas tournées.

Kimiko, revelação vocal

O fascinante no jazz é que ao lado da maravilha que representam a audição de grandes nomes do passado - mas que pelas suas idéias avançadas soam sempre como novidade - surgem sempre revelações extraordinárias. E na área vocal, uma nova revelação é a cantora japonesa Kimiko Itoh ("Follow Me", CBS), da qual pouco se sabe, já que a CBS, normalmente tão atenta em bem divulgar seus produtos, desta vez não distribuiu releases a respeito.
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