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Aramis

Artigos por data (1991)

Paulo Tapajós, uma missa iluminada de canção/amor

Convinha, nesta primeira coluna de 1991, falar de coisas alegres, de pássaros, de música, de cores e de amizade. Jamais um obituário. Assim, o obituário para um amigo que morreu no penúltimo dia do ano que acabou não pode ser triste. Tem que ser sem lágrimas, lembrando sua imensa dimensão, a sua grandeza de artista, homem, pai, companheiro e sobretudo, ser humano: PAULO TAPAJÓS (GOMES).

Pórcia, uma educadora do Paraná (o segredo da eterna juventude)

Se quisesse, a psicóloga Pórcia Guimarães Alves, 72 anos, poderia engordar sua conta bancária com os direitos autorais de um livro tipo "como envelhecer com humor" ou "mantendo a juventude mesmo com a idade". Afinal, poucas pessoas têm, como ela, tanta jovialidade, entusiasmo e gosto pela vida, num permanente otimismo e disposição. Acaba de retornar de uma nova e longa viagem ao Exterior - pela terceira vez esteve em Hong Kong e Bali e já faz planos para novos roteiros em 1991.

Ecologia nas páginas ilustradas do álbum

Programado originalmente como um ambicioso livro-de-arte com a consultoria da Salamandra, uma das editoras mais competentes na área de projetos especiais, "O Livro do Matte", patrocinado pela Leão Júnior, ainda com os incentivos da lei 7505/86, teve que se adequar a realidade e assim saiu em edição miniaturizada - (12 x 21 centímetros, 92 páginas), mas o que não diminuiu sua qualidade.

Mesmo com a crise há ainda livros de arte

A confraria privilegiada de colecionadores de livros de arte sofreu um duro golpe em 1990: o Plano Collor e a conseqüente suspensão da Lei Sarney praticamente congelou a maioria dos projetos que existiam para dar continuidade as edições de livros de arte (sem falar em outras áreas de investimentos) com patrocínios de empresas e instituições.

Uma missa para Paulo Tapajós

Hoje ao entardecer - 18h30 - os amigos e admiradores de Paulo Tapajós (Gomes) lhe prestarão uma homenagem póstuma: na Igreja da Ordem, o padre Júlio oficiará a missa "in memorian" do grande brasileiro que faleceu no último dia 29, sábado, no Rio de Janeiro.

No campo de batalha

Quem está na cidade, revendo familiares e amigos, é o baterista Tião (Sebastião Cândido da Cruz), paranaense de Santo Antônio da Platina, 51 anos completados no dia 2. Músico desde os 15 anos, Tião trabalhou na noite curitibana - saudosos tempos de Marrocos, Jane 2, Caverna Curitibana "e até da Vila Parolim" e a partir de 1965 foi para o Rio de Janeiro, após alguns meses em São Paulo. Nestes 25 anos já participou de inúmeras gravações, trabalhou com gente famosa e nos últimos meses esteve em Brasília, atuando com Guilherme Vaz no restaurante Estação 109, e fazendo shows de jazz. xxx

Fonografia paranaense, um panorama (ainda) desolador

Passa o ano e a situação pouco se altera: a pobreza fonográfica no Paraná continua franciscana. Enquanto mesmo com todas as crises e retrações, os gaúchos, catarinenses, mineiros - para nem falar nos nordestinos - continuam a dar exemplos de uma marcante presença em termos de discos com seus artistas, entre nós as gravações são raras.

As estrelas que foram iluminar o firmamento

O ano de 1990 começou levando duas divas do cinema - Barbara Stanwyck, aos 83 anos, no dia 20 de janeiro e, cinco dias depois, Ava Gardner, aos 68 - e, três meses após, a mitológica Greta Garbo, aos 85 anos, no dia 15 de abril, em Nova Iorque - seu retiro desde 1941, quando abandonou voluntariamente o cinema no auge de sua carreira. Outra atriz inesquecível, Paulette Goddard - a lembrança eterna da companheira de Chaplin (que foi seu marido) em "Tempos Modernos", que morrera aos 79 anos, em 22 de abril.

As perdas de 1990

Janeiro Ernest Widmer, nascido na Suíça, em 1927. Maestro-compositor, veio para o Brasil em 1956 a convite de K. F. Koelrreuter, naturalizando-se brasileiro. Viveu muitos anos na Bahia, onde implantou uma avançada escola de estudos e pesquisas. Faleceu dia 04/01. George Auld, saxofonista-tenor, nascido em 18/05/1919. Gravou seus melhores discos com Benny Goodman. Em 1977 apareceu numa ponta no filme "New York, New York" como o músico que ensina Robert De Niro a tocar saxofone. Dia 08/01.

O que faltou na 25ª edição dos melhores

Apesar de todo cuidado para fazer com que o "Almanaque" especial que circulou domingo, dia 6, com a 25ª edição dos "Melhores" não fizesse omissões ou contivesse erros, algumas falhas técnicas, no momento da editoração final, obrigam-nos a completar informações que ali deveriam constar. Portanto, vamos a elas. xxx

Zé Maria, a ajuda para ouvir melhor

Embora nunca tivessem se encontrado, José Maria dos Santos e José Maria Santos (1934-1990), homem de teatro, tinham muito em comum além do mesmo nome - entre os 12 outros homônimos existentes na cidade. Ambos aprenderam a lutar(em) pelo(s) seu(s) espaços desde a infância, deram duro para alcançar uma posição e, principalmente, cultivaram sempre a honestidade, a simpatia e aquela capacidade de fazer amigos.

Eron Vianna, a luta pelo espaço para nossa música

Mais do que um compositor-intérprete, Eron Vianna, paranaense de Palmas, 53 anos completados no dia 25 de outubro (*) é um brigador pela música brasileira. Deslocando-se mensalmente entre sua chácara no interior de Paula Frontim - onde criando porcos consegue recursos para a sobrevivência que a vida musical não lhe deu - para Curitiba, São Paulo, Brasília e Recife, Eron é hoje uma das pessoas que mais luta pelos direitos autorais.

O colonialismo cultural imposto pelas emissoras

Mais do que nunca é preciso clamar: a música brasileira precisa de espaços. Parece o óbvio ululante ao que se referia o velho e sábio Nelson Rodrigues, mas é necessário denunciar a invasão do pior som pop descartável e a redução dos espaços de nossa música. Exemplos não faltam: Hilton Barcelos levou cinco anos para conseguir produzir o seu elepê "Arquétipos" e até agora poucas emissoras da cidade estão divulgando ao menos uma faixa deste disco com composições avançadas, belos arranjos de Roberto Burgel e que reuniu ótimos músicos.

Paixão musical segundo Regina

Roberto de Regina é daquelas pessoas que ama o seu trabalho. Médico anestesista foi um bom profissional até conseguir aposentar-se do INPS - no qual trabalhou por 35 anos - mas o que sempre gostou mesmo foi a música. Apaixonado por música antiga, fundou grupos instrumentais que pioneiramente passaram a desenvolver no Brasil um repertório até então praticamente pouco divulgado e com o Coral Dante Martinez, numa série de três elepês lançados pela CBS nos anos 60 - "Cantos e Danças da Renascença" (que merecia a reedição, na perfeição do CD) ganhou aplausos internacionais.

No campo de batalha

Já que hoje falamos em gente criativa da chamada música clássica, aqui vai mais um registro: Marlos Nobre, hoje aos 53 anos, o compositor brasileiro de maior prestígio internacional, conquistou um novo êxito na Europa: dia 25 de novembro, regeu a Royal Philharmonic Orchestra no Purcell Room, em Londres, com o auditório totalmente lotado (ingressos vendidos entre 4 a 6 libras esterlinas, equivalente a Cr$ 15 e Cr$ 25 mil).

Semana de poucas estréias

Nesta terceira semana do ano as estréias ainda são raras. Afinal, os exibidores não querem desperdiçar os bons títulos em época de férias e muita gente (ainda) viajando. O lançamento mais importante é "Coração Selvagem" de David Byrne (Ritz, 5 sessões), premiado em Cannes no ano passado - e aqui registrado por Tiomkin, da equipe que passa a escrever sobre cinema em "O Estado". Uma comédia com muita ação estreou na semana passada no Condor e permanece em cartaz: "Alta Tensão" (Bird on a Wire), de John Badham ("Os Embalos de Sábado à Noite").

Pisco, o homem que acaba com o chiado

Se não fosse um dos mais competentes integrantes da equipe de produção da Rádio Roquete Pinto, no Rio de Janeiro, e assim poder identificar-se como radialista - Ayrton Pisco confundiria os recepcionistas dos hotéis em que se hospeda ao preencher a sua ficha de entrada no item profissão: "especialista em restauração fonográfica". Sem dúvida, Pisco é o único profissional do Brasil - e um dos poucos no mundo - que pode assumir oficialmente esta "profissão" originalíssima - e que lhe representa mais de 90% de seu gordo orçamento mensal.

Os caçadores dos sons perdidos

Ayrton Pisco não sabe precisar quantas faixas já recuperou para a nossa música popular. Foram milhares, pois há quase dez anos vem trabalhando sozinho (só agora está começando a repassar a um de seus netos o seu know-how) na reconstituição de gravações que representam os únicos registros de nosso passado musical.

O cinema para ler

Após anos de indigência editorial nas áreas das artes, começamos a entrar em dias melhores. Ano a ano, cresce a produção editorial de obras que se voltam ao cinema, música, teatro e artes plásticas - incluindo edições de arte. Mesmo com os tempos bicudos que enfrentamos, e, no caso de edições-brinde de obras de arte tenha havido uma natural recessão com o fim da Lei Sarney (que estimulava investimentos culturais), aliada aos rigores do Plano Collor, ainda se publicou bastante em 1990.

A música em palavras

O professor e pesquisador Alceu Schwab, 66 aos - que em breve lança seu "A Música Popular no Cassino Ahú", terá que reeditar seu pioneiro "Bibliografia da MPB", que fez há alguns anos. É que anualmente aumenta o número de livros sobre a nossa música - biografias, ensaios, interpretações e mesmo obras de arte. 1990 foi, particularmente, generoso: quase 30 lançamentos, incluindo trabalhos de fôlego e dois livros que estão nas relações dos mais vendidos desde quando saíram do prelo: "Chega de Saudade", de Ruy Castro, e "Noel Rosa, Uma Biografia", de João Máximo e Carlos Didier.
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