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Aramis

Artigos por data (1991 - Janeiro)

Apesar de tudo, os discos independentes resistem

Passados treze anos do surgimento organizado do chamado "disco independente" - tomando-se como ponto inicial de referência o "Feito em Casa" do pianista e compositor Antônio Adolfo - ao contrário do que muitos pensam, esta forma de realização fonográfica não morreu. Teve, evidentemente, que se adaptar aos novos tempos - cada vez mais recessivos - agravados em 1989/90 - o que provocou uma sensível redução na chamada produção alternativa, tendo em compensação também um saneamento artístico.

As melhores produções alternativas de 1990

1. "Encontro das Águas" - Juca Novaes e Eduardo Santana (Cachet Records, MPM Produções, Rua Ministro Gastão Mesquita, 855, São Paulo). O grande coordenador da Feira Avarense de Música Popular - reconhecidamente o melhor festival de MPB do país, que a cada ano traz inovações e teve suas últimas edições lançadas em disco, Juca Novaes é também compositor e intérprete, veterano participante de vários festivais (inclusive o Fercapo, de Cascavel).

Livro de Roselys prova como o Paraná ajudou colonizar o Sul

Ao entardecer desta terça-feira, no Espaço Cultural Banrisul, em Carazinho, Rio Grande do Sul, a curitibana Roselys Velloso Roderjan, estará autografando seu há muito aguardado "Raízes e Pioneiros do Planalto Médio" (180 páginas, co-edição da Universidade Passo Fundo / Empresa Jornalística Folha da Manhã / Prefeitura de Carazinho / Museu Pedro Vargas).

Nativismo, hoje um mercado em expansão

Há menos de uma década - quando aqui, pioneiramente, publicamos uma série de reportagens sobre o boom nativista gaúcho, no Paraná praticamente inexistiam festivais e eventos artísticos regulares. Embora já houvesse mais de 50 dos duzentos e poucos CTGs, que hoje se espalham por todo o Estado, suas promoções se restringiam a âmbitos locais - inclusive sem repercussão maior.

O mágico (post "Oz") da América

"O mundo todo é selvagem no coração e estranho na superfície" (Lula, personagem feminina de "Coração Selvagem"). xxx O curitibano Walton S. Wysocki, double de artista plástico obcecado por imagens eqüestres e cinéfilo-glutão, costuma fazer seus desenhos com maçaricos, extraindo cores e imagens com chamas & fumaça. Walton, como um apaixonado por cinema e um esteta dos músculos em seus cavalos pictóricos, deve ter adorado "Coração Selvagem" (Cine Ritz, 2ª semana).

Os grandes textos que chegam à tela

Nos anos 50, uma das coleções de maior sucesso da saudosa editora Vecchi (quem se lembra desta casa publicadora?) era "Os Maiores Êxitos da Tela", que publicava os romances levados ao cinema - entre trabalhos originais ou adaptações. Com capas coloridas, papel-jornal, a preços econômicos, vendia como pão quente.

Biografia definitiva de Luchino Visconti

Dentro de uma programação que sempre priorizou os lançamentos de categoria - ideal que levou o político, jornalista e escritor Carlos Lacerda a criar sua própria editora, a Nova Fronteira, hoje dirigida pelos seus filhos, Sérgio e Sebastião, tem aberto espaços para importantes obras do cinema e da música.

Schwarzenegger vai à escola

Cineasta de extrema sensibilidade quando se voltou aos sonhos da juventude ("O Último Ano do Resto de Nossas Vidas") e encontros e desencontros do amor ("Um Toque de Infelicidade / Cousins"), mas também seguro num terror bem humorado ("Os Garotos Perdidos"), Joel Schumacher é confiável. Portanto, precedido de boas críticas, seu "Linha Mortal" (Flatliner), que estréia hoje (Plaza, 5 sessões), é atração bastante oportuna nesta semana em que continua o marasmo cinematográfico - com reprises e continuações (embora algumas interessantes).

Agora em LPs os sons do X Festival de Londrina

Em julho de 1990, quando da realização do 10º Festival de Música de Londrina, a professora e pianista Cloris de Souza Ferreira, uma das executivas do evento, estava preocupada pela impossibilidade financeira dos belos concertos que estavam acontecendo serem registrados num disco. A verba do Festival não permitia qualquer produção e a única opção seria conseguir o patrocínio da iniciativa privada. Sabendo que a alta direção da Firestone estaria reunida no salão de convenções do Hotel Bourbon, Cloris solicitou ao hoteleiro Roberto Vezozo que a apresentasse aos executivos da multinacional.

A receita para salvar um organismo cultural

O prefeito Antônio Belinatti esteve ao ponto de ganhar uma triste notoriedade nacional. A impetuosa decisão de acabar com o Departamento de Cultura da Prefeitura de Londrina começava a ter reflexos nacionais, cobrindo de ridículo sua administração - que por sinal, tem alguns pontos positivos.

No campo de batalha

Mais um Bicho do Paraná em escalada nacional: Ariel Coelho, ator que há uma década vem trabalhando regularmente em cinema e teatro (fora eventuais incursões na televisão), ganha destaque na montagem de "Uma Noite com Valentim", coletânea de textos curtos do cômico alemão Valentim Ludwig Fey, mais conhecido por Key Valentim (1892-1942). Com direção de Fernando Bechy, ao lado de Bia Nunes, Ariel está de quinta a domingo no palco do Teatro Cultura Artística (Rua Nestor Pestana, 196), São Paulo. xxx

Retratos da Vida

Assim como Akira Kurosawa foi, durante muitos anos, a identificação do cinema japonês para o grande público, também por mais de 20 anos o cinema sueco era lembrado apenas pelo seu nome maior, Ingmar Bergman. Falar em cinema escandinavo, então, era cair no vazio, pois mesmo com a grande aceitação por parte da crítica e de uma elite de cinéfilos pelos verdadeiros ensaios psico-visuais de Bergman, desconheciam-se outros realizadores daquela região da Europa.

Os 80 anos de Lafayete, o herdeiro de Chic-Chic

Lafayete nasceu em Minas, justamente no município de Queluz, na cidade que lhe deu o primeiro nome. "Como sou de circo, poderia ter nascido em qualquer outra cidade, principalmente em 1931, quando os Irmãos Queirolo cruzavam o Brasil de Norte a Sul" - recordou o artista no início de um longo depoimento gravado na semana passada, para o projeto Memória Histórica do Paraná. A história de Lafayete é muito da história do circo de sua família - e este, por sua vez, da história circense brasileira.

Os tempos do Pavilhão Carlos Gomes

A morte do velho José Queirolo, cantor de óperas em sua juventude, no início do século, não tirou o ânimo artístico da família. A máter Petrona ensinou aos filhos as atividades circenses. Criou-se o grupo dos irmãos Queirolo que se apresentavam nas ruas, ainda pequenos, com números de acrobacia. Um contrato com o circo Albert Schulmann os levou pelo mundo: Estados Unidos (apresentação no Hipódromus Circus, em Nova Iorque), Europa (onde ganharam troféus, comendas e medalhas, como a que receberam do Kaiser alemão Guilherme II a 27 de janeiro de 1912).

A grande família Queirolo

Nos (bons) tempos em que Hermínio Bello de Carvalho dirigia a divisão de Música Popular da Fundação Nacional das Artes, uma de suas preocupações era marcar as efemérides ligadas a nossa cultura popular na área musical com eventos alusivos.

... e o espetáculo continua

- "Tive duas grandes alegrias: no dia em que o prefeito Saul Raiz entregou um novo circo para a família e, alguns anos depois, quando eu entreguei o circo de volta a Fundação Cultura". A frase pode parecer estranha, saindo da boca de um homem que por toda a vida viveu artisticamente no mundo da lona e da serragem. Lafayete Queirolo explica:

Retrato sem retoque da outra Hollywood

Se alguém ainda insiste em dizer que o cinema é apenas a usina de ilusões como, um dia, Hollywood foi definida pelo escritor russo Ilya Ehrenburgh, um filme como "Lembranças de Hollywood" (Cine Plaza, hoje, 22 horas, pré-estréia promovida pelo jornalista Wilson Cunha, do programa "Cinemania", da Rede Manchete) é uma prova em contrário.

No campo de batalha

Um engano na digitação da manchete na abertura da página de domingo envelheceu 20 anos o bom Lafayete Queirolo. O veterano homem do circo completará, no dia 14 de julho - junto com a Queda da Bastilha - os seus 60 anos. Merecedores de todas as comemorações... xxx Ricardo Queirolo - o Negrito, nono filho do velho José Queirolo (1849-1900) e a matriarca Petrona Sallas (1852-1939) morreu há quatro anos, com 89 anos. Um dado que faltou na reportagem que dedicamos à família Queirolo. xxx

A morte de Paulo Sá Pinto, o que modernizou nossos cinemas

A morte de Paulo Barreto de Sá Pinto, às 4h10 da última quinta-feira, 24, no Hospital Sírio Libanês, levou um dos maiores empresários da área cinematográfica - não só em São Paulo, mas também em Curitiba, onde, a partir de 1948, modificou sensivelmente o setor de cinema como espetáculo. Com sua morte - sem ter gravado um depoimento que há tempos vínhamos tentando colher - a história da cinematografia no Brasil - e no Paraná - perde uma de suas testemunhas vivas - e com ele desaparecem detalhes importantes sobre os cinemas de Curitiba.

Um exibidor que trouxe o Cinemascope para o Brasil

Pode-se dizer que Paulo Sá Pinto trouxe a modernidade para a cinematografia curitibana - que durante décadas estava acomodada com os exibidores tradicionais. Em 6 de novembro de 1948, uma sexta-feira, reabria o antigo Cine Vitória (que antes havia se chamado Imperial) com o nome de Ritz, na quadra da Rua XV de Novembro entre a Dr. Murici e a Marechal Floriano.
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