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Aramis

Artigos por data (1991)

Das Bruxas ao Sexo, um cardápio muito atraente

Os planos editoriais da Rosa dos Tempos são amplos e abertos às várias tendências. Incluem desde "O Martelo das Feiticeiras", uma obra escrita em 1484 por dois inquisidores alemães e que se constitui num complexo manual de caça às bruxas, a livros macetosos como "1001 Dicas de Cláudia para a dona de Casa a Beira de um Ataque de Nervos", de Laura Civita, que edita a seção "Vida Melhor", da revista "Cláudia".

Na Rosa dos Tempos, o texto é das mulheres

Os números são otimistas. Apesar de toda a crise, o mercado editorial continua a crescer, como mostram as estatísticas das editoras. Um movimento de quase um bilhão de dólares com a publicação de 10.000 títulos e cerca de 250 milhões de exemplares. Apesar do preço do livro continuar subindo, as listas de best-sellers ampliam-se.

Em 91, a Abril trará o melhor do cinema francês

Paralelamente à construção da rede de cinemas que exibirá exclusivamente a produção de altíssimo nível distribuída pela Belas Artes - a nova empresa fundada por Jean Gabriel Albicoco e Jaime Tavares - já foram iniciados também os contatos com a Abril Vídeo, para negociar os direitos da edição em vídeo do melhor destes filmes que já começam a chegar ao Brasil (atualmente os 5 primeiros de um pacote de 25 estão no conjunto Belas Artes / Alvorada, em São Paulo).

Os 40 clics de Jack e Leminski em Curitiba

O Gordo Mello - Luiz Henrique de Oliveira Mello, caçula de uma família tradicional, é daqueles curitibanos inquietos que ama a sua cidade. Jack Pires, um fotógrafo que aqui chegou há anos e tomou-se de amores pela cidade. Paulo Leminski - bem, do polaco Leminski, cuja ausência há um ano e meio tem sido chorada em canto e verso - não é preciso falar muito!

A receita do editor

Na introdução de "Quarenta Clics em Curitiba", Garcez Mello mostra seu bom humor ao dar a "receita para confecção dessa obra". De princípio, lembra os ingredientes: "Um poeta maior curitibano, louco para botar seu bloco na rua, apenas com uma hermética obra na praça por ele próprio editada ("Catatau", 1974). Um famoso fotógrafo do Eixo Rio-São Paulo - Jornal do Brasil, Manchete, etc. - vindo morar em Curitiba por obra do destino. Um editor em projeto, louco pela obra dos amigos tresloucados, que se propõe a divulgá-los a qualquer custo". Depois, o modo de preparar:

Kauê, um novo filho literário de Gladys

Esta seria uma semana particularmente feliz para Gladys Gama França. Finalmente a editora Arco Íris aprontou a primeira tiragem de "Kauê - O Pintinho Mágico", sua incursão na área da literatura infantil e com a energia elétrica que a faz uma locomotiva em termos de agitos sociais e culturais, estava com tudo programado para começar a catituar este livrinho que abre uma coleção de obras destinadas a criança de 3 a 6 anos, com positivas mensagens.

Mais cinema para ler

Como alertamos no texto introdutório da página sobre o levantamento dos livros sobre cinema e música editados em 1990 - publicado na edição de domingo de "O Estado" - a bibliografia ali reunida não pretendia ser completa. Na área de cinema, foram omitidos, por um problema técnico de composição, mais alguns títulos que hoje registramos. "A Arte do Cinema", de Rudolph Arnhim. Edições 70, 182 páginas. Cr$ 2.736,00. "Motion Pictures" - Coletânea de textos do cineasta alemão Wim Wenders ("Paris Texas"). 199 páginas, Cr$ 3.700,00. Edições 70.

No campo de batalha

De volta a Curitiba após ter feito o mestrado na área de antropologia da Unicamp, Selma de Castro retornará também a noite musical. Em negociações com Clóvis, proprietário do Bar Tulipa Negra (Rua Fernando Moreira, 550) para ali fazer bom jazz nas noites de segunda-feira. O que será uma opção aos que curtem a música mais criativa. xxx

A "Curitiba" de Hilton Valente vale um disco

A decisão do experiente compositor e arranjador Roberto Nascimento em se fixar em Curitiba, contratado pela Audisom - um dos bons estúdios da cidade - vai se refletir numa maior opção para as agências de publicidade em busca de bons produtores de jingles e trilhas sonoras. Aos 51 anos, curriculum artístico que indica múltiplas experiências e parcerias ilustres - inclusive com Cartola, um ótimo elepê gravado na antiga Tapecar, Roberto Nascimento foi, nos últimos anos, atuante arranjador e músico na Globo, ali fazendo muitos (e bons) trabalhos.

Tortuga gauchesca vende o bom pneu

Curitiba tem meia dúzia de jinglistas competentes e esforçados na produção de trabalhos para os estúdios locais. Embora nem sempre com as condições ideais de trabalho, bonitos trabalhos saíram não só de estúdios maiores - Sir, Audisom - mas também de estúdios menores, entre os vários que foram instalados nos últimos cinco anos. Paulo Chaves, veterano músico e cantor, múltiplo em sua criatividade - foi também professor, radialista, organizador de festas, etc.

Um belo filme dinamarquês é a melhor estréia da semana

Mais uma semana de mínimas estréias. Em compensação, chega (Cine Luz, 5 sessões) um candidato (já) para a listagem dos 10 melhores do ano e que tem chances de conquistar o público: o surpreendente "Dançando pela Vida" (Waltizing Ragtime), nova mostra do talentoso cinema escandinavo. Indicado ao Oscar no ano passado como melhor filme estrangeiro (perdeu, naturalmente, para "Cinema Paradiso") esta fita de Kaspar Rostrup teve um lançamento obscuro no Brasil.

Dor de dente não entra em férias mas dentista sim!

"Paraná - Boletim Confidencial", uma nova publicação semanal que o experiente jornalista Victor Grein está editando há um mês, na edição que circulou ontem, aborda, entre outros assuntos atuais - e que nem sempre ocupam espaço na imprensa diária - a revolta dos associados do Instituto de Previdência do Estado em relação às férias coletivas em que encontra-se a maioria de seus 57 cirurgiões dentistas.

Os sons do Aranha para valorizar nossa música

Oswaldo Aranha formou-se em agronomia mas o que gostaria mesmo era de ser músico. Funcionário categorizado do Ministério da Agricultura e empresário rural, compensa a frustração de não ser músico com sua paixão pelo som clássico. Dono de uma das mais bem selecionadas discotecas de música orquestral e de câmara - a ópera não faz seu gênero - Aranha vem há mais de dois anos dividindo seu conhecimento da música clássica, formando uma parceria com José Cavalcanti Falcão, na produção de programas de bom nível na Rádio Estadual do Paraná.

No campo de batalha

Única artista plástica do Paraná que se vem dedicando à técnica da colagem, Ana Maria Prince Comode acaba de ter um reconhecimento internacional: foi uma das 4 paranaenses selecionadas para (ao lado de 6 outros de vários estados) integrar a mostra "10 Pintores Brasileiros" na 3ª edição da Bienal Internacional de Óbidos, em Portugal. xxx Nos dias 7 a 11 de janeiro, Ana Maria orientou um curso de colagem, realizado no Centro Cultural do Portão, que teve ótimos resultados entre os alunos. Tanto é que já há convites para uma segunda turma. xxx

A ninpha Mara ajuda Carmen gravar elepê

Na próxima semana, num pequeno estúdio de som - o Gramofone, na Rua Comendador Araújo, 652, loja 10 - uma das últimas cantoras da chamada "época de ouro" gravará a décima (e última) faixa de um elepê que, após quase 10 anos de criminoso esquecimento, a devolve a fonografia: Carmen Costa (Carmelita Madriaga, Trajano de Morais, Rio de Janeiro, 05/11/1920).

Aventuras cinematográficas do audacioso William Boyd

O nome lembra um cowboy, daqueles heróis de seriados da Republic: William Boyd. E, realmente, William Boyd, 38 anos, tem muito de espírito aventureiro - ao menos no que deixa passar em seus livros. Nascido em Acra, Gana, estudou nas universidades de Nice, Glasgow e Oxford. Seu primeiro romance, "A Good Man in Africa" venceu em 1981 o WhiteBread Prize e em 1982 o Somerset Maugham Award. O segundo, "A Guerra do Sorvete", foi vencedor em 1982 do John Llwleyn Rhyz Prize e finalista do Booker Prize. Publicou também uma coleção de contos intitulada "On the Yankee Station".

As jam sessions para o búfalo do Passeio

Raulzinho - Raul de Souza - constantemente confundido com o veterano Raul de Barros (Rio de Janeiro, 25/11/1915), carioca de Bangu, é daqueles músicos que comporta um perfil digno de figurar no Down Beat. Em quatro décadas de atividades artísticas reuniu um folclore em torno de sua pessoa que o faz personagem de estórias deliciosas - desde os tempos em que, sargento-músico da (excelente, na época) Banda de Música da Escola de Oficiais Especialistas e Guardas, onde entrou em 1958, passava semanas no xadrez por seus constantes atrasos.

E já vai longe o tempo das grandes orquestras

Tomando uma cerveja com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, no bar do Hotel Araucária, o músico e maestro Roberto Gnatalli, 41 anos - um dos 34 professores que há duas semanas orientam aulas para 850 alunos da IX Oficina de Música de Curitiba (Solar do Barão, até o dia 25), lamentava:

Marcos se unem para ensinar a produção

O boom do vídeo no Brasil - não apenas (e felizmente) o comercial e idiotizante exploração da locação, com 90% do lixo internacional colocado nas lojas que se multiplicam a cada semana - mas na área da criação amplia-se seguramente. Hoje, com a difusão das filmadoras - que apesar dos preços ao redor de US$ 5 mil - dependendo do nível de sofisticação - começam a chegar a milhares de pessoas, nasce a necessidade de se oferecer orientação básica para se formar videastas.

Apesar de tudo, os discos independentes resistem

Passados treze anos do surgimento organizado do chamado "disco independente" - tomando-se como ponto inicial de referência o "Feito em Casa" do pianista e compositor Antônio Adolfo - ao contrário do que muitos pensam, esta forma de realização fonográfica não morreu. Teve, evidentemente, que se adaptar aos novos tempos - cada vez mais recessivos - agravados em 1989/90 - o que provocou uma sensível redução na chamada produção alternativa, tendo em compensação também um saneamento artístico.
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