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Aramis

Artigos por data (1991)

Um laboratório sem teto encaixotado no depósito

- "O que mais fez com que Eny ficasse doente foi o fato de ela ter sido afastada daquilo que mais ama: o ensino". Com a devoção que dedica há mais de 25 anos a sua mestre e amiga, a capixaba Noemia Leal, faz uma confidência: - "Desde que Eny deixou de exercer o seu trabalho diário no ensino, sentiu-se amputada. Especialmente porque a idade nunca a impediu de trabalhar".

Meio século ensinando gerações de brasileiros

No dia 16 de fevereiro de 1987, quando foi homenageada pelos seus 50 anos de magistério, Eny Caldeira fez questão de lembrar o seu avô materno, Gerônimo Durski, emigrante polonês que chegou a escrever durante a longa viagem de navio uma cartilha ensinando o português para os seus compatriotas, que vinham para o Brasil. - "Acho que o ensino sempre fez parte de minha vida", disse a professora Eny, no emocionante depoimento gravado na semana passada para o projeto Memória Histórica.

De Cornélio aos rurbanos, a tradição pela música da terra

Qualquer pesquisa de maior profundidade sobre a música rural - hoje rurbana, desaguando no brega suburbano - que se transformou num dos gêneros de maior rentabilidade no mercado fonográfico tem que passar pela Continental. Assim como a Copacabana, a família Bungthin deve ao seu elenco sertanejo a sobrevivência empresarial nos anos difíceis - especialmente no imenso elenco que foi formado por outra etiqueta histórica, a Chantecler - inicialmente uma divisão da firma Cassio Muniz, depois integrada ao grupo Indústrias Elétricas S/A.

Continental e a sua história gravada fundo dentro da MPB

Com a Copacabana - Som, Indústria & Comércio, praticamente desativada em sua área fonográfica - embora alguns lançamentos ocasionais ainda aconteçam - a sexagenária Continental se mantém como a única grande fábrica de discos controlada exclusivamente por capital nacional.

Podem ser bregas, mas garantem sobrevivência

Pela sua própria característica de ser uma fábrica formada por capital nacional e, desde 1943 - quando separou-se da antiga Columbia - ter sido obrigada a confiar antes de tudo em seu elenco verde-amarelo, a Continental possui um acervo dos mais brasileiros. Sem preconceitos de gêneros e esteticismos artísticos - ao contrário, buscando os mais diferentes gêneros e artistas - os adjetivos de "brega", "caipira", "comercial", etc. - nunca contaram na produção desta gravadora que hoje tem um grande catálogo.

Dalvan, o ex-caipira sofisticou seu canto

Um exemplo de artista rural que passa pelo processo do que se poderia chamar de rurbanismo, é Dalvan (José Gomes de Almeida), paranaense de Planaltina. Formando dupla com o goiano Duduca (José Trindade, Anápolis, 04/07/1936 - São Paulo, 17/02/1986), após terem feito sucessos de raízes rurais - e quando estavam em ótima fase - aconteceu a trágica morte de Duduca. Dalvan, então, reciclou sua carreira: deixou crescer ainda mais os cabelos, substituiu a linguagem rurbana por um rock de subúrbio, com romantismo brega, e a partir do próprio disco que chamou de "Novo Rumo" buscou o lado romântico.

Governo Requião, ano 0: mudança de guarda

Governo Roberto Requião, hora zero. O velho adágio de que "vassoura nova varre bem" confirmou-se pelos ponteiros do relógios: às 7 horas da manhã de ontem, em algumas repartições - e mesmo no Palácio Iguaçu - já havia gente nos corredores. Janelas abertas, salas limpas, mesas em ordem - um clima de assepsia burocrática nesta mudança da guarda (civil) das coisas do Estado. Mesmo em clima de branca paz - na sucessão tranqüila da administração Álvaro Dias - obviamente que começam nesta semana as primeiras substituições.

A arte de chefiar (em boa paz) um gabinete

O dia em que alguém tiver a iluminada idéia de escrever um bem humorado livro sobre a burocracia oficial, a figura do chefe de gabinete dos donos do poder poderá merecer um dos melhores capítulos. Afinal, em qualquer órgão de administração pública, esta função é fundamental para o êxito do titular do cargo - pois desde os menores problemas administrativos até as mais delicadas questões políticas exigem uma pessoa com jogo de cintura para aparar arestas, acalmar ânimos, entender explosões do "Chefe" e contornar solicitações das mais absurdas.

A nostalgia colorida dos tempos de Juarez

Paisagens tipicamente curitibanas, com pinheiros recriados de uma maneira muito pessoal, estão nos quadros que compõe a mais recente individual de Juarez Machado - apropriadamente chamada de "Parfum: Memoire", inaugurada no último dia 12, no Gaymu Inter Art Galerie / Art Contemporain Latin Américani (8, Passage, Thiére 75011, Paris), que estará aberta até o dia 11 de maio.

No campo de batalha

Em menos de 10 anos, Curitiba viu os estúdios de som se multiplicarem. Do pioneiro Eugênio Félix, no apartamento 106 do antigo Palácio Avenida - que nos anos 40, foi o precursor do som gravado (e das primeiras filmagens) publicitário aos modernos equipamentos, muita coisa rolou. Hoje, enquanto os mais prósperos dos empresários do setor - Percy Tamplim, do Sir, e Reinaldo Camargo, da Audisom - se interestadualizam em trabalhos para o vídeo, surgem novos estúdios de áudio, buscando um mercado altamente competitivo. xxx

O MIS preservará imagens do Iguaçu

Antes de passar a direção do Museu da Imagem e do Som para sua sucessora, a jornalista Marisa Vilela, o múltiplo Valêncio Xavier conquistou mais um notável acervo para esta instituição que, graças a sua administração, deixou de justificar a adjetivação cunhada ironicamente pelo pintor e humorista Fernando Velloso: "Museu da Imaginação".

Silvia e as saudades dos dramas da Pelmex

Poucas pessoas conhecem hoje tão bem o cinema latino-americano como Silvia Oroz, uma argentina morena, beleza mignon, tão simpática que se enquadra naquela categoria que, como dizia Dale Carnegie, parece ser amiga de infância após 5 minutos de conversa.

Na semana do Oscar, chega bela barriga do arquiteto

Na mais quente semana do ano - a que precede a entrega dos Oscars (segunda-feira) haja tempo, dinheiro e, especialmente, disposição para acompanhar todos os filmes em exibição. Os cinco que concorrem ao prêmio máximo já estão em exibição nacional e oito dos dez outros, que conseguiram duas ou mais indicações, também estão em cartaz - ou já foram vistos.

As cores amadurecidas de Guita

Graças a um trabalho organizado e sólido, Ida Axelrude e Anita Guelmann fizeram de sua galeria de arte (Shopping Center Novo Batel, loja 3) uma das que tem um dos calendários mais competentes em nosso movediço mercado de artes. Experientes, buscando selecionar os artistas que ali expõem, dispõem de uma boa programação que inclui ao lado de nomes internacionais o prestigiamento a artistas paranaenses.

No campo de batalha

Uma das primeiras pessoas convocadas para integrar a equipe de comunicação, como mestre de cerimonias em eventos populares, no Palácio Iguaçu, foi o radialista Cláudio Ribeiro. Durante a campanha, o bom Cláudio passou o tempo todo viajando com o governador Roberto Requião, que pode sentir sua dedicação. Cláudio, compositor com boa obra, foi quem implantou o setor de Música Popular da Secretaria da Cultura, que agora finalmente, deve voltar a funcionar com as substituições das Coordenadorias daquela pasta. xxx

MPB vai renascer com o Festival Carrefour

A partir de terça-feira, abrem-se as portas, mais uma vez, para os candidatos a um lugar ao sol do sucesso musical. Um festival nacional, desenvolvido em 7 capitais e que dará nada menos que Cr$ 2.500.000,00 ao autor da melhor canção será lançado na próxima segunda-feira, 25, durante o coquetel no Holiday Inn Crowne Plaza, em São Paulo. xxx

Um curso na Alemanha para formar doutores em crítica

Em sua rápida passagem por Curitiba, há duas semanas, como solista da Orquestra de Câmara de Blumenau - em duas apresentações que abriram a temporada do Auditório Maria José de Andrade Vieira - a pianista Fany Solter, uma baiana que há 30 anos vive na Alemanha, revelou um projeto que fará da Escola Superior de Música de Karlsuhuer, da qual é reitora desde 1984, se tornar uma das pioneiras num curso único: a de formação de redatores e críticos musicais.

A lírica enxuta de Luci e o schoolar Hélio Puglielli

Um curriculum invejável. Aos 27 anos, a curitibana Luci Collin já fez tudo que era possível a uma jovem intelectualmente ansiosa - e dentro dos padrões de bom comportamento - realizar. Formada em música pela EMBAP (1985), Português-Inglês pela UFPR (1989), um curso de percussão completado no ano passado, faz atualmente pós-graduação em Língua Inglesa, já morou nos Estados Unidos, freqüentando cursos no Wright State University, em Ohio, há quatro anos e seu inglês é tão bom que lhe valeu o certificado da Universidade de Cambridge.

Aqueles velhos negros americanos cantando bem a dor de cotovelo!

Quando na presidência da WEA brasileira, André Midani - agora vice-presidente mundial da Warner Records, em Nova Iorque - preocupou-se em lançar uma série de álbuns de blues, agrupados em coleções. A coleção "The Legacy of the Blues", teve seqüência há quase um ano com os volumes 4, 5 e 6, que trouxeram registros notáveis de três figuras históricas:

O essencial de Billie

Há quase 20 anos, quando pouquíssimos brasileiros conheciam a voz da maior cantora de jazz de todos os tempos - Billie Holiday, o bom amigo Arnaldo Fontana - tão precocemente falecido - se entusiasmou quando a CBS lançou o primeiro elepê com Lady Day no Brasil. Extasiado, nos dizia Arnaldo: "Tomara que este disco venda bastante para que tenhamos outros em seguida!".
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