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Chico Buarque de Hollanda

Amélia e Clara, revelações veteranas para a nossa MPB

É sempre um risco apontar um(a) intérprete como revelação do ano quando, na verdade, este artista, em inúmeros casos, vem há anos batalhando pelo seu espaço. É o caso de Amélia Rabello, que estará em nossa edição dos melhores de 1989 como revelação do ano, mas que, na verdade, é uma estreante-veterana. Chegou agora ao seu primeiro elepê como solista (Velas/Polygram), mas com a esperiência, a bagagem e o rigor técnico de uma veterana. E não por acaso!

Joyce ao vivo. Maravilhosa!

O canto das mulheres continua belo. Independente das superstars Simone, Beth Carvalho e Marina - há outros discos marcantes, de gente da maior competência. Joyce, por exemplo, após dois álbuns-homenagem (a Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim), optou por uma gravação longe dos estúdios: "Joyce ao Vivo", gravado no Teatro Clara Nunes, Rio de Janeiro, nas noites de 13 e 14 de março de 1989, a partir do show roteirizado e dirigido por Túlio Feliciano, revela exatamente a intenção da cantora, passando uma intensa vibração e emoção.

O maestro Marçal e o talentoso Dunga

Filho de uma das legendas do samba, o grande (Armando Vieira) Marçal (RJ, 1902/1947), que formou com Bide (Alcebíades Maia Barcelos, RJ, 1902/1975) a dupla que criou tantos sucessos (a partir de "Agora é Cinza", 1933), Nilton Defino Marçal, 55 anos, manteve a ilustre tradição. Percussionista dos mais requisitados, bonita voz, tem sido, nos últimos anos, valorizado por compositores da dimensão de Chico Buarque - que fez questão de lhe reservar um momento solo no show "Francisco", que apresentou no Canecão, RJ, há dois anos.

Em dez discos, a saudade do melhor da Bossa Nova

Os trinta anos da Bossa Nova - que poderia ter suas comemorações até retroagidas para 1988, considerando-se que a gravação-marco do movimento que modificou a MPB foi mesmo "Canção do amor demais", produzido por Irineu Garcia, para a Festa, reunindo Elizeth Cardoso às primeiras parcerias de Vinícius e Antonio Carlos Jobim - e tendo ao violão o baiano João Gilberto com sua batida diferente - proporcionaram que dezenas de gravações - e algumas publicações - se voltassem a esta efeméride.

O jazz saboroso que Cuba exporta

Cuba não é apenas sinônimo do (melhor) charuto e socialismo tropical mas, sim, sonoramente, um ilha de grande riqueza como se prova através dos gêneros & talentos musicais que ali surgiram. Se a Nova Trova Cubana - com Sílvio Rodriguez e Pablo Milanez - explodiu na última década, graças à ponte cultural que Chico Buarque (e outros intelectuais do primeiro time) souberam construir - há também outros criadores notáveis da música cubana, sem folclorismos & concessões que começam a acontecer mundialmente.

Bethania e Zizi encantam com toda a sensibilidade

Mesmo sem a intensidade de ciclos anteriores, a presença feminina na MPB se manifesta em vários segmentos e gêneros, provando o axioma de que o canto é das mulheres. Enquanto Simone não aparece com seu novo álbum de fim de ano, embora ganhe uma valiosa presença internacional na trilha de "Goya" (CBS), o musical de Maury Yestom inspirado na vida e amores do pintor espanhol, sua rival Maria Bethania já está há mais de um mês na praça com um álbum vigoroso, sensual e candidato a figurar entre os melhores e mais vendidos do ano ("Memória da Pele").

Um "Dia de Visita" que também foi emocionante

Umberto Martins, 41 anos, tinha todas as razões para sentir-se a pessoa mais feliz no encerramento do Festival. Presente desde a abertura - quando o seu curta, "Dia de Visita", antecipou ao primeiro longa em competição ("Uma Avenida Chamada Brasil" de Octávio Bezerra), viveu, com intensidade as emoções de seu primeiro festival.

Um repertório diversificado

Apesar de nunca ter visto "A um Passo da Eternidade" (A From Here to Eternity, 53, de Fred Zinnermann), Paulo Ricardo gostou da imagem do título e fez de um suave rock romântico a faixa de trabalho para catituagem de seu primeiro elepê solo. Para outro rock também com cinematográfico título - "Viver por Viver", nem sabia que foi o nome de um filme de Claude Lelouch (67) - fez apenas um canto de amor jovem, tão despojado quanto "A Arte de Fazer Amor".

Zuza na direção faz um belo espetáculo com Gilberto Gil

Habitualmente crítico de espetáculos - função que exerceu por mais de 10 anos em "O Estado de São Paulo", Zuza Homem de Mello está agora no outro lado do rio: desta vez é o diretor de um espetáculo que após estrear em Curitiba (domingo, 13), tem apresentações no Rio de Janeiro (Canecão, hoje) e São Paulo (Anhembi, sexta-feira e sábado): Gilberto Gil, Dominguinhos e uma nova cantora baiana - Margareth Menezes.

Miúcha e Francis num show que devolve a MPB ao Paiol

A responsabilidade sempre foi enorme. Irmã de um monstro sagrado da MPB - Chico, de família de intelectuais e músicos, mulher por muitos anos do "papa" (perdoem o lugar comum, mas não já jeito de evitá-lo) da Bossa Nova - João Gilberto, e mãe também de uma graciosa cantora - Bebel. Portanto, Miúcha é daquelas pessoas a quem, mais do qualquer outra, se cobra uma performance artística maior. Capaz de inibir mesmo a mais segura das pessoas.
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