Com habilidade, Gil agora preside os cineclubistas
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 02 de agosto de 1986
José Gil de Almeida, 29 anos, paranaense de Goioerê, há 5 anos em Curitiba, mostrou muita habilidade para voltar de Brasília como presidente do Conselho Nacional de Cineclubes. Durante 6 dias, mais de 100 dirigentes de cineclubes estiveram em delicadas reuniões discutindo a formação da nova diretoria, num intrincado jogo de interesses políticos refletindo várias tendências ideológicas.
Gil de Almeida, sobrinho e assessor da deputada Maria Amélia Almeida, e que há mais de um ano vem movimentando o cineclubismo no Paraná - hoje com 17 entidades - soube contornar vetos, "queimações", contestações e não só conseguir a presidência, como garantir mais três cargos para cineclubistas do Paraná: a secretaria-geral ficou para José Lanes Marques, do cine-clube de Goioerê; a tesouraria para Celso Zanin (irmão da vereadora Marlene Zanin), do cineclube do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná. Já a diretoria de publicações será ocupada por uma atuante cineclubista; Ladir Galli, de Mandaguari.
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Com mais de 500 cineclubes no País, o movimento cresceu nos últimos anos e adquire cada vez mais força política. Ao invés de amorfas sessões para reprises de clássicos do cinema, os Cineclubes buscam hoje mostrar filmes independentes, documentários contestadores e obras polêmicas. Para tanto, José Gil de Almeida aproveitou sua estadia em Brasília e fez contatos com várias embaixadas de países socialistas e árabes, interessados em distribuírem, através dos cineclubistas, filmes de seus países. "Estaremos abertos a todos os países que queiram deixar com o Conselho Nacional os seus filmes para que os mesmos possam ser vistos por milhares de pessoas", garante Almeida - negando, entretanto, qualquer filiação ou dependência da entidade com determinadas embaixadas. Explica:
- "Buscamos apoio de quem está disposto a divulgar um cinema participante. Não fazemos censura ou discriminação - racial, ideológica, política ou religiosa - de qualquer espécie".
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Autor de "Viagem à Líbia", relatando sua viagem a Tripoli, em abril último - obra que editou com ajuda de sua prima, a escritora Miriam Mayr, José Gil de Almeida é o editor de "Opção Cultural", publicação que teve uma edição especial para ser distribuída durante a reunião de Brasília. Nesta edição, e publicado um apelo para auxiliar o movimento de oposição ao governo do Paraguai, através da venda do cassete "La Patria Que Late En Mi", de Llorens Arnaldo, cantor e compositor paraguaio, "uma homenagem aos torturados, desaparecidos e assassinados no Paraguai.
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Falando em cinceclubismo, o Aníbal Requião, presidido pelo exibidor Jorge Santos, promove amanhã, domingo, às 10:30 horas, no Cine Morgenau, a exibição de um filme famoso: "O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering Heights), que William Wyller dirigiu em 1939 com base no romance de Emily Bronte e que praticamente lançou o então jovem Laurence Olivier no cinema americano, com "Heatchclif"), ao lado de Merle Oberon. David num ano de excepcional safra: "Vitória Amarga", "Adeus, Mr. Chips", "Ninotchka", "Caricia Fatal", "No Tempo das Diligências", "O Mágico de Oz", entre outros. Entretanto, Greg Tolland ganhou o Oscar de fotografia em preto e branco.
LEGENDA FOTO - José Gil Almeida - na foto ao lado de sua prima Miriam Mayr (co-editora de "Viagem à Líbia") - foi eleito para a presidência do Conselho Nacional de Cineclubes.
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