Cinema
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 30 de janeiro de 1973
a situação que filmes como "Chamam-me Trinity" ou a seqüência "Trinity ainda é meu nome (Cine São João, 6.a semana) colocam são bastante curiosas, em termos de um enfoque sociológico da indústria cinematográfica italiana a partir dos anos 60. A volta as origens com os pseudo-historicos (é bom lembrar que na primeira fase do cinema italiano, nas décadas de 10 e 20, dramas históricos como "Cabiria" e "Quo Vadis?" eram realizações de grande sucesso junto ao público) cansou em menos de 5 anos, partindo então os produtores de Cinecitt para os bang-bang spaghetti, logo espalhados para a Espanha, França e mesmo Alemanha (a série "Wine`ou", por exemplo, inspirada nos romances de Karl May). O simples bang-bang evoluiu depois para o policial erótico e, principalmente, as comédias ultra-picantes, na linha de "O Padre que queria casar-se". Com "Trinity" (e alguns outros filmes de menor repercussão) um novo estágio é atingido: o bang-bang pastelão, em que o sangue é substituído por bolos ou panelas, as lutas ferozes e granguinolescas das séries "Django" ou "Ringo", transforma-se em patuscadas em lembram um jogo de "rubgy" (vide seqüência final de "Trinity ainda é o meu nome"). Perante filmes como este não bastam apenas as palavras negativas de quem encara o cinema com seriedade: afinal, seus realizadores não propõe nada mais do que pão & circo a uma massa de espectadores disposta unicamente a dar explosivas gargalhadas com o pior humor> Mas se uma velha atriz como Dercy Gonçalvez (foto) conseguiu levar público ao Guaíra com uma comédia como "Os Marginalizados" é natural que "Trinity" disquete com "O Poderoso Chefão" (Cine Plaza) os mais altos resultados de bilheteria.
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