"Metrópolis de Lang e o som de Gilberto
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 06 de dezembro de 1984
HOUVE mudanças na programação da Cinemateca do Museu Guido Viaro e assim hoje será exibido "Metrópolis", clássico do expressionismo alemão que Fritz Lang (1890-1976) realizou em 1926. É uma boa oportunidade de se (re) ver este filme, tal como foi apresentado durante mais de meio século, pois em janeiro próximo a Art Filmes estará lançando a cópia em 35mm, que submetida a um processo de colorificação e recebendo trilha sonora de Giorgio Moroder, busca atingir as faixas mais jovens.
Exibido numa das mostras paralelas do FestRio, há 3 semanas, a versão sonorizada e colorida de "Metrópolis" conserva todo o vigor desta ficção científica na qual Lang já fazia uma crítica ao autoritarismo que se começava a sentir na Alemanha e que se radicalizaria com a ascensão ao poder do Nacional Socialismo e Adolfo Hitler.
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Ismael Xavier, crítico da "Folha de São Paulo" e professor de cinema do curso de cinema da Universidade de São Paulo (onde orienta o mestrado argentino-curitibano Hugo Mengarelli) veio a Curitiba para duas conferências. Ontem falou sobre David H. Griffith (1875-1948), sobre quem lançou há dois meses um livro-de-bolso dentro da coleção "Encanto Radical" da Brasiliense. A palestra foi ontem à noite, após a projeção de "O Nascimento de uma Nação" - realizado em 1915 e uma das primeiras superproduções do cinema americano. Hoje, Ismail falará sobre Lang.
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Sábado será apresentado um filme de apelo jovem: "Corações a Mil", documentário sobre Gilberto Gil, já exibido anteriormente no Cine Groff. O diretor deste longa-metragem é Tom Azulay, cineasta de origens paranaenses (sua família residiu muitos anos em Curitiba, sendo o seu avô o incorporador do edifício Azulay, na Rua XV de Novembro). Após dois documentários sobre o chamado grupo baiano da MPB (o primeiro foi "Os Doces Bárbaros", documentando a frustrada temporada de Caetano, Gil, Bethania e Gal fizeram há 9 anos passados e que acabou com a prisão de Gilberto em Florianópolis), Azulay pensa em aproveitar o excelente material obtido (e grande parte do qual continua inédito) em versões produzidas especialmente para vídeo.
Mas o cinema não está fora de seus planos: em 1985 pretende realizar um longa-metragem em Portugal, sobre a vida do dramaturgo, o Judeu - filme que se constituía no último projeto de Alberto Cavalcanti (1897-1982), mas que acabou morrendo magoado por não ter conseguido encontrar condições para realizá-lo.
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