Quem diria, Josephine Baker acabou por aqui
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 16 de abril de 1989
Há algumas semanas, na sala de projeção do Disc-Tape (Rua Padre Agostinho), uma equipe de jovens filmava uma das principais seqüências de "Josephine". Inspirado claramente em "Laranja Mecânica", o roteiro do diretor André Gentil (desenvolvido em colaboração com Paulo Camargo) previa uma seqüência em que a personagem central, interpretada pela jovem Carla Almeida, 19 anos, amarrada numa cadeira é obrigada a assistir dezenas de vezes um mesmo filme com a cantora Josephine Baker - num processo de lavagem cerebral.
As filmagens alongaram-se e um dos refletores, no qual na falta de equipamento mais apropriado, se ajustaram folhas de papel celofane colorido, acabou incendiando. Correria, busca de extintores e até esqueceram a atriz amarrada na cadeira - que, viveu momentos de real pavor.
- "Uma pena que eu não estava ali na hora para fotografar a cena" - comentaria, depois, Cláudio Graziani, 26 anos, que faz o still (fotos de cena) desta produção.
Outra filmagem foi no terraço do Paraná Suite Hotel e a diretora de fotografia, Tatiana Talalana, disposta a obter um ângulo digno de Haskel Wexller, não teve receios em equilibrar-se no parapeito do edifício - há mais de 60 metros de altura - para uma seqüência que deve abrir o filme - inspirada em "Superman".
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Com lances entre o arriscado e o humor (depois que o medo passa), André Gentil, 23 anos; Luciana Cotta, 21 anos; Paulo Camargo, 25 e Tatiana Talalana, 21, vêm dedicando todas suas horas à realização de um vídeo que "vamos levar em todos os festivais e espaços possíveis". Para tanto, cada um já colocou na produção mais de Cz$ 300,00 e com equipamento cedido pelo curso de Comunicação da Universidade Federal do Paraná estão em produção desde a primeira semana de março.
Colegas do curso de Comunicação, já fizeram alguns vídeos mas sem maiores pretensões: "Loucura" (que exibido num festival em Porto Alegre, no ano passado deu a Maria Adélia Ferreira - atualmente em Lisboa - o prêmio de melhor atriz); um documentário sobre rádio e televisão, outro às crianças das favelas ("Filhos da Pátria"), além de uma documentação sobre o cineasta e videomaker alemão Hartmun Horst, que em promoção do Goethe Institut, já veio duas vezes a Curitiba para dar cursos. Luciana Cotta, que há 5 meses vem trabalhando na equipe de jornalismo da Rádio Independência, diz, com entusiasmo:
- Os cursos que fizemos com Horst foram importantes para a nossa formação. Agora, vamos para a prática, num trabalho de maiores pretensões.
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O roteiro de "Josephine" exige muitas cenas externas e tem bastante ação: trata uma gang que seqüestra pessoas normais para submetê-las a processos de lavagem cerebral e lhes dar nova personalidade. Uma jovem (Carla Almeida) é submetida a experiências para se transformar numa "Josephine Baker" - na referência a famosa cantora e atriz negra, nome famoso nos anos 50. Hoje desconhecida das novas gerações.
No elenco estão artistas em começo de carreira e também amadores, todos identificados por um profundo entusiasmo pelo projeto: Ana Lúcia Toledo, Tupã Seretá Matheus, Carlos Bastos, Romano Dalanana, Elaine Lemos, Luciana Alcaraz, Miguel Zacarias Neto, Ricardo Garanhani e Miguel Cândido Silveira Neto.
Na equipe técnica estão também Carlos Roberto Cornelsen (iluminação), Cláudio Graziani (still) e Osvaldino Barbosa (supervisão técnica).
LEGENDA FOTO - Carla Almeida e Ricardo Garanhani, bailarinos e intérpretes, numa cena digna da Broadway em "Josephine", vídeo-ficção em fase de produção. (Foto de Cláudio Graziani).
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