Clubes de campo, o negócio de sucesso
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 31 de dezembro de 1986
Há alguns meses o sr. José Antônio Castagnoli, técnico em marketing, elaborou um estudo sobre as potencialidades de lazer e concluiu que Curitiba oferece fértil campo a empreendimentos sociais. O boom da população e a ascensão do poder aquisitivo de uma grande faixa - entre pequenos empresários, profissionais liberais, executivos e mesmo funcionários públicos qualificados - faz com que exista a demanda por espaços que ofereçam condições de lazer nos fins de semana.
Em conseqüência do estudo de Castagnoli, um empresário paulista, Sérgio Spanhol, 52 anos, proprietário da S.S. Participações/Ética, investiu alguns milhões na incorporação do Clube Chácara Paraíso, localizado a 12 km da Praça Tiradentes, em Pinhais - município de Piraquara. Resultados: os mil títulos vendidos a Cz$ 15 mil tiveram ótima aceitação, numa prova de que há centenas de famílias buscando opções para passar ao ar livre - mas com o mínimo conforto - as horas de folga. Afinal, os locais públicos - como o Parque Barigüi, Parque São Lourenço, Barreirinha e outros - têm suas áreas disputadas avidamente aos sábados e, especialmente, nos domingos e feriados, desde as primeiras horas da manhã.
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Se clubes de campo como o Santa Mônica e o Três Marias, surgidos no início dos anos 60, tiveram sucesso e hoje possuem milhares de associados, houve também meia-dúzia de empreendimentos furados, sem que os responsáveis apresentassem prestações de contas aos que acreditaram nos mesmos e investiram na compra de títulos. O Colibri e o Santa Bárbara, estão como exemplos de clubes que lançados com muita publicidade não passaram das churrascadas de instalação, em terrenos que tiveram suas posses desviadas para outras mãos que não a dos associados. Casos nebulosos, ocorridos há mais de duas décadas e que nunca tiveram as devidas investigações, justamente pala falta de iniciativa dos prejudicados que, ao invés de agirem judicialmente contra os incorporadores (?), preferiram contabilizar como prejuízo os pagamentos feitos a se incomodarem com demandas judiciais.
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