Login do usuário

Aramis

Artigos por data (1986 - Maio)

Réquiem ao Paiol (adeus boa MPB!)

Confirmado: Curitiba pode ficar fora do roteiro de espetáculos de música popular brasileira. Com exceção de superstars (?) com esquemas milionários, a nossa cidade não tem condições de público para absorver produções voltadas à MPB, com uma proposta cultural e trazendo artistas de expressão - mas que, por diferentes razões, não se encontram nas paradas de sucesso.

Roedil, o pai da pornô "Julieta"

Roedil Caetano, compositor paranaense que há anos busca seu espaço acabou, ironicamente, tendo um sucesso nacional através de outro intérprete - o baiano Sandro Becker, 32 anos, 14 de carreira. Em seu sexto lp (Copacabana, março/86), Becker gravou "Julieta", forró de letra grosseira que induz o ouvinte a descobrir palavrões através das rimas - e o êxito foi nacional. A tal ponto que em reportagem sobre "Som da Pesada", na "Veja" que está nas bancas, a autoria de "Julieta" é assumida pelo próprio Becker - embora em seu disco conste o nome de Roedil e dos parceiros - F.C.

O talento de Flávio e a beleza de Vera

Flávio Rangel é griffe de qualidade. Só pode ser acusado de fazer sucesso. E sucesso com qualidade. Relacione-se as montagens de maior êxito (+ qualidade) nos últimos 10 anos e, por certo, em todas, estará o nome de Rangel, cuja competência e bom gosto têm valorizado todos os espetáculos que encena. Por estas e outras, "Negócios de Estado" (auditório Beto Munhoz da Rocha Neto, até domingo) merece atenção nesta semana, em que continua em cartaz a melhor peça do ano - "De Braços Abertos" de Maria Adelaide Amaral (auditório Salvador de Ferrante).

De livros & homens

O professor Luís Sunye, diretor cultural do Curitibano, remexeu em sua biblioteca e localizou duas das primeiras edições de livros de Rubem Braga. Orgulhoso, levou-os para, 30 anos após terem sido publicados, receberem o autógrafo do cronista maior. Os professores David Carneiro e Vasco Taborda Ribas relembravam com o autor de "A Revolução das Elegantes", fatos da literatura dos anos 40 e 50.

Porcolino, um troféu ao político que suja a cidade

Um grupo de curitibanos, preocupados com o pichamento de muros, viadutos, placas e até mesmo árvores com mensagens políticas, está montando uma versão local do movimento de revalorização do bairro do Cambuci, em São Paulo, que instituiu o troféu Porcolino para "o maior porco da cidade" - a ser eleito em setembro, na capital paulista.

O reconhecimento a Elisa. Em Brasília

Destaque a quem merece: a professora Elisa Gonçalves Martins assumiu há duas semanas a direção do recém-criado Grupo Executivo de Defesa do Consumidor (Procon), no Distrito Federal. Professora (licenciada) da Universidade Federal do Paraná, assessora direta de Euro Brandão quando ministro da Educação e Cultura, Elisa Gonçalves foi mais uma das vítimas do governo José Richa - que, graças a Deus, acaba nesta sexta-feira.

No campo de batalha

É sempre um prazer aqui registrar os êxitos da iratiense Denise Stocklos, hoje o maior nome da mímica no Brasil. Participando da 2ª Mostra Internacional de Teatro de Montevidéu, há poucos dias, Denise acrescentou novos elogios ao seu cada vez mais robusto portfólio internacional.

Reprises indispensáveis

Na peça (e no romance) "O Beijo da Mulher Aranha", o personagem Molina passava a maior parte do tempo contando o argumento do filme "O Sangue de Pantera" (Cat People, 42, de Jacques Tourneur). Quando Hector Babenco levou a estória para a tela não pôde usar a mesma citação: além dos direitos de "Cat People" pertencerem a RKO, o mesmo já havia sido refilmado por Paul Schraeder - irmão, aliás, de Leonard, roteirista de "O Beijo...".

Expressão negra

Um show afrodisíaco é o que prometem o poeta Geraldo Magela e o compositor Grafite e "Aché", espetáculo que tem na próxima terça-feira uma única apresentação, às 21 horas no Teatro de Bolso (Praça Rui Barbosa). O show, além de música (Negreti, Mauro, Grafite) e poesia, contará também com números de dança. O espetáculo pretende apresentar a expressão cultural negra em várias manifestações da arte. xxx

Airto agora virá em agosto. Com a Flora

A novela da temporada de Airto Moreira no Brasil se estende por vários meses. No final do ano passado, quando esteve aqui, no Natal, revendo sua família, Airto estabeleceu uma série de contatos para detalhar as apresentações que faria com a esposa Flora Purim e uma banda especial, com apresentações no Rio, São Paulo, Curitiba e, talvez, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Oscar e os males que o fumo causa

Inimigo do fumo, o deputado Oscar Alves mantém-se coerente em sua cruzada antitabagista. Quando secretário de Saúde e Bem-Estar Social, no governo Ney Braga, bancou a campanha contra o fumo e enfrentou todas as pressões das multinacionais do fumo. Agora foi o relator do projeto apresentado na Câmara Federal pelo deputado Cunha Bueno, que obriga a impressão, nas bulas dos medicamentos, da advertência aos fumantes sobre os riscos do tabagismo em relação a determinadas patologias.

No campo de batalha

Inesperadamente, Francisco Alves dos Santos programou dois clássicos na Cinemateca do Museu Guido Viaro, que mereceriam, aliás, maior tratamento promocional. Na terça e quarta-feira, "Limite", o cult-movie que Mário Peixoto realizou em 1929 e que permaneceu inédito por quase 50 anos. Hoje, sábado, temos "Sangue de Pantera" (Cat People), 1942, de Jacques Tourneur - considerado um dos mais exemplares filmes de terror da escola de Val Lewton, que marcou os anos 40.

Solistas de piano e grandes orquestras clássicas

Falecido há quatro anos, só recentemente o pianista canadense Glenn Gould (1932-1982) começou a ter sua obra editada no Brasil. Após conquistar renome internacional, Gould abandonou as apresentações em concerto no ano de 1964, dedicando seu tempo a escrever, gravar e, eventualmente, participar de programas radiofônicos.

Plácido continua a gravar os populares

Os puristas da ópera - como Humberto Lavalle, por exemplo - devem estar dando urros de indignação. Cada vez mais os grandes tenores (e também algumas sopranos) estão enveredando pelos caminhos do popular. Carreras, Pavarotti e Plácido Domingo têm gravado tantos discos de música popular que já não é mais novidade a presença deles nos balcões menos nobres das lojas de discos. Agora, mais uma vez o espanhol Plácido Domingo - que também tem enveredado pelos caminhos cinematográficos, com sucesso ("Carmen", "I Pagliacci", "Otelo"), faz um belo disco... de temas populares.

De braços abertos e lágrimas nos olhos

Poucas vezes na história do teatro brasileiro uma peça escrita por encomenda resultou num resultado tão brilhante quanto "De Braços Abertos". Rara combinação de êxito de público (prova disto são quase dois anos de casas lotadas) e realizações artísticas, esta peça de Maria Adelaide Amaral é a confirmação maior (embora isto nem mais fosse necessário) do talento de uma dramaturga que, de texto para texto, mexe e remexe nos sentimentos humanos, discute as relações do homem/mulher e dos nossos dias, questiona a solidão de todos nós, o envolvimento social e, sobretudo, a afetividade.

Duas obras-primas em cartaz

A Rosa Púrpura do Cairo no Ritz e Paris, Texas no Groff. Imperdível para quem ainda não viu e um presente para os que já conhecem. Algo raro de acontecer: uma semana sem nenhuma estréia. Falta de filmes inéditos? Crise de público?

Na Cinemateca, um ciclo sobre o negro no cinema

Dentro da programação da Cinemateca do Museu Guido Viaro, Francisco Alves dos Santos marcou ótimas atrações para este mês. Começou com as apresentações de dois clássicos - "Limite", 1929, de Mário Peixoto e "Sangue de Pantera", EUA, 1942, de Jacques Tourneur. Teremos a partir de hoje o ciclo Cinema & Cultura Negra e, posteriormente, o I Fórum de Cinema Documentário Brasileiro e o I Encontro de Cineclubistas da Região Sul.

Do relatório Toffler a Rubens, um novo autor

Há dois anos, quando passou pelo Rio de Janeiro, Alvin Toffler jantou com seus amigos Jaime Lerner e Cassio Taniguchi - que já conhecia de Nova Iorque - e revelou que seu próximo livro seria uma obra de origem curiosa: um relatório secreto que havia preparado em 1975 para a maior organização comercial do mundo, a American Telephone & Telegraph Co., o gigantesco complexo conhecido como Bell System.

Halley já se foi mas os livros continuam a sair

Se o Cometa de Halley já está hoje a caminho dos confins do Universo e deixou uma universal frustração aos milhões de terráqueos que, a olho nu, pouco - ou nada - viram de sua cauda luminosa - editorialmente ainda continua a render dividendos. Mais de 30 publicações - entre livros, revistas, mapas etc. - foram lançados nos últimos meses a propósito da passagem do cometa. Por outro lado estimulou interesse por outros estudos sobre astronomia e ninguém mais do que Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, do Observatório Nacional falou e escreveu a respeito.

Juca Chaves, o menestrel da política e do sexo

"Bossa-nova mesmo é ser presidente/ desta terra descoberta por Cabral Para tanto basta ser, tão simplesmente/ Simpático, risonho, original" ("Presidente Bossa Nova", 1961) xxx "Mordomia é uma mania com jeitinho Brasileiro Desde Dom Pedro I Até os tempos atuais Mas o nosso Presidente Que é imortal na academia Agora com mordomia Que não morre nunca mais Muda Sarney é tempo de mudar Trocar o Tucupi pro Caviar" ("Votar, Votar", 1985/86) xxx
© 1996-2016. tabloide digital - 35 anos de jornalismo sob a ótica de Aramis Millarch - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Altermedia.com.br