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Festival do Cinema Brasileiro de Brasília

Loira fantasma curitibana poderá chegar em Brasília

Até segunda-feira, a cineasta e videomaker Fernanda Morini continuará nervosa: é que só no dia 17 serão divulgados os filmes aceitos para o XXIV Festival do Cinema Brasileiro de Brasília, para a qual concorre, na categoria de curta-metragem, 35mm. "A Loira Fantasma", que concluiu exatamente um dia antes do encerramento das inscrições.

Mesmo sem mercado, os curtas-metragens mostram qualidade

Brasília - Amir Labaki, crítico da "Folha de São Paulo", formado em cinema pela ECA-USP, abordará na terça-feira ao encerrar o curso "Aspectos da Linguagem Cinematográfica", um tema que se torna cada vez mais fascinante: o crescimento - em quantidade e qualidade - do curta-metragem no Brasil. Apesar de totalmente desprotegido - a lei que obrigava os cinemas comerciais a exibir curtas deixou de existir e mesmo salas teoricamente voltadas a programação cultural (como as mantidas pela Fucucu em Curitiba) passaram a hostilizar os curtas, este tipo de produção continua a crescer.

A nossa loira fantasma irá mesmo para Brasília

Ao menos para a cineasta e vídeomaker Fernanda Morini a passagem do Dia do Cinema Brasileiro - 19 de junho, mereceu ser comemorada com a abertura de algumas garrafas de champagne (nacional) em sua produtora - a Realiza Vídeo. É que por telefone, teve a melhor notícia: "A Loira Fantasma", seu primeiro curta-metragem, 35mm, rodado em maio de 1989 e só agora concluído, estará entre os dez curtas-metragens que disputarão os Candangos e gordas premiações em dinheiro no XXIV Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (6 a 10 de julho).

Personagem esquecida pela história oficial

Brasília - Embora "A República dos Anjos" seja a primeira grande produção dirigida pelo uruguaio Carlos Del Pino, 42 anos, há 23 no Brasil, ele tem uma grande experiência no cinema . Fez parte do Cinema Novo, trabalhando em diferentes funções, com realizadores como Cacá Diegues ("Os Herdeiros" e "Joana Francesa"), Geraldo Sarno ("Coronel Delmiro Gouveia"), na trilogia de Ama Carolina, entre outros. Há 15 anos chegou a fazer um longa-metragem, praticamente inédito: "O Leão do Norte".

E quando é que chegarão os filmes dos festivais?

Encerrado mais um festival de cinema brasileiro- e próximo a dois outros eventos importantes que continuarão a movimentar o setor (Gramado, a partir de 5 de agosto e, de 20 a 26 de setembro, a XVIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em Salvador), uma questão natural que se discute é a de quando os curtas, médias e, ao menos, longas que são levados a estas mostras competitivas poderão serem também vistos e julgados pelo público?

Na telinha paralela, se mostrou até o filme que não foi concluído

Apesar dos festivais de Brasília e Gramado evitarem, nos últimos anos, a expansão também para o vídeo - considerando que o boom nesta tecnologia é tão intenso que justifica eventos específicos - torna-se impossível, atualmente, ignorar a telinha como forma ao menos informativa para realizadores que optando pelo vídeo apresentam trabalhos dos mais importantes. Ao menos informalmente, tanto em Gramado como em Brasília, as últimas edições dos festivais já abriram salas para que as realizações em vídeo, com cópias em VHS, possam serem vistas.

Alerta nuclear, um cinema de utilidade

Filmes como "Chuva Negra - A Coragem de uma Raça" - na abordagem que faz sobre a maior tragédia de todos os tempos (a destruição de duas cidades e milhares de pessoas com a bomba atômica) mais do que nunca devem ser vistos e discutidos. A corrida nuclear a partir de 1945 - e que somente ampliou-se neste meio século de insanidade - tem merecido algumas reflexões profundas e importantes, embora, por sua própria dimensão, tudo que se faça para chamar atenção em torno da questão seja pouco.

As imagens que desmistificam a nossa Capital da Esperança

"O filme de Vladimir é um tiro de obuz na mira das meias-verdades alicerçadas com o correr dos anos da ditadura. Com preciosas imagens arquivadas ao longo de quase 20 anos, tempo de gestação desta verdadeira ópera popular, além de depoimentos revistos e checados com o passar dos anos. Vladimir entrega agora ao público uma obra que não tem preço, um dos mais lúcidos espelhos da nossa realidade já construídos pelo cinema nacional". (César Mendes, "Correio Braziliense", 16/10/1990) xxx

Um exemplo do melhor cinema documentário

Quem construiu a Tebas de Sete Portas? Nos livros estão os nomes dos Reis. Arrastaram eles os blocos de pedra? (Bertolt Brecht) A epígrafe com um fragmento de um dramaturgo alemão abre "Conterrâneos Velhos de Guerra" é, de certa forma, o ponto de partida ideológico deste contundente documentário: aqueles que construíram Brasília, os candangos vindos do Nordeste, foram expulsos da cidade.
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