Lançamentos
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 29 de abril de 1979
Interessantíssimo é a estréia de Marina, uma morena que a WEA havia contratado há quase 3 anos e que surge agora com um elepê com ampla possibilidade de torna-la em pouco tempo, um nome conhecido nacionalmente: "Simples como fogo". Mariana Lima, carioca, 23 anos, vivendo de muitos anos nos EUA, é uma síntese de influência das mais diversas (e positivas): da bossa nova aos Beatles, de Jair Rodrigues a Billie Holiday. O resultado é que o lp "Simples como Fogo" é um elepe bastante documental, quase um marco de novos caminhos tentados por uma cantora-mulher, bonita e rebelde, ágil e sensível, onde o Marketing (indispensável na comercialização fonografica) também funciona bastante. O tema central do disco é o amor, "o amor dentro da cidade, que convive com a solidação urbana e que é traduzida em todos os diálogos", diz a própria cantora. A exceção de quatro faixas, escolhidas por razões especiais - "Solidão" (Dolores Duram), "Revolta" ( Moraes Moreira), "Não Há Cabeça" ( Angela Ro Ro) e "Muito"(Caetano Veloso), todas as músicas foram escritas por Mariana e seu irmão, Cícero Dias. "A Chave do Mundo"- já incluída na trilha da novela "Pai Herói"- serve de termômetro do disco: "meu amor faz coisas simples/como o fogo... eu queria ser assim como ele/cruel como o mundo/e tão simples". O coração cigano, a chama intensa, a juventude e a morenice ipanemense misturaram-se e completam o tom em "Maneira de Ser": "Teria de ser como alguém/que saberia compreender/o meu temperamento esquisito/a minha maneira difícil de ser/que quando eu chegasse cansada/de um dia de ensaio geral/dissesse "Marina, morena, descansa/que hoje, deixa, não fão faz mal". E quando o disco encerra, com "Muito", Marina deixa-nos a sensação de uma descoberta de um desafio que define por canto e composição. É sempre salutar ouvir novos compositores ou intérpretes, que buscam (re)valorizar a emepebê em seus diversos caminhos. No caso de Ruy Maurity não se trata de um estreante, já eu este compositor violonista e cantor vem desenvolvendo um trabalho regular há alguns anos, paralelamente ao trabalho de seu irmão, o tecladista Antônio Adolfo - que, por sinal, foi o pistoneiro no sistema de discos alternativos, já com o terceiro elepê sendo lançado nacionalmente. "Bananeira Mangará"(Sigla/Som Livre, 4036170), colocado nas lojas há alguns meses, mas em evidência graças a promoção especial que a Rede Globo garante, representa um trabalho bem mais evoluído de Maurity e seu parceiro, José Jorge, sobre aquilo que trazia anteriormente.
Mesmo não querendo ser apenas um chamado interprete ecológico, sente na maioria das faixas inéditas deste elepê produzido por Guto Graça Mello, que se encarregou também dos arranjos e regências uma profunda consciência em relação a temas de raízes brasileiros, tão necessários de serem abordados. Os cuidados na produção de cada uma das faixas, onde participaram os melhores instrumentistas - como Luizão no baixo, Rosinha de Valença no violão (ela, inclusive, é autora de "Cana Caiana", parceira com Maria Bethania), Danilo Caymmi na flauta, além de apoio coral, incluído mesmo vozes de Cybelle (do Quarteto em Cy), Jane, Jaime, etc.
Se Ruy Maurity mostra um equilíbrio em quase todas as faixas de seu "Bananeira Mangará", o mesmo não se pode dizer de Guilherme Lamounier (Som Livre, 403.6171). Muito mais para o rock, com letras ingênuas e quase fúteis, seu disco está longe de representar um trabalho de maior significado - a não ser para um consumo imediato.
Autor de todas as faixas, também vocalista e guitarrista, Lamounier é um artista em processo de formação - com um longo caminho pela frente. Há, evidentemente, alguns momentos de maior força/fôlego, principalmente quando se apóia em instrumentistas mais experientes, como o explendido pistonista Márcio Montarroyos e no vocal de Jane Duboc ("Eu Preciso de Alguém"), mas no geral este elepê fica na categoria apenas de registro de um momento.
FOTO LEGENDA- Marina simples como fogo
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