No campo de batalha
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 26 de novembro de 1987
Claudia Ohana, a mais nova sensação do cinema brasileiro - e já com carreira internacional - virou a musa das sessões secretas do festival da meia-noite na Sala Glauber Rocha: no domingo e segunda feira, ela aqui esteve, linda e sorridente, vendo os dois filmes nos quais interpreta o principal papel: "A Fábula da Bela Palomeira", dirigida pelo seu ex-marido, Ruy Guerra e "Luzia Homem", de Fábio Barreto. Aliás, a sessão de "Luzia Homem", foi ultra-secreta, já que os produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto desejavam mostrar esta primeira cópia, ainda com problemas de cor e iluminação (a ser corrigida em laboratório) somente para a equipe e elenco.
Tanto "A Bela Palomeira" como "Luzia Homem" são filmes bonitos com fotografias excelentes. Em "A Bela Palomeira" a trilha sonora é de Egberto Gismonti e, no final, o ator Ney Latorraca canta a música-tema, com letra de Ruy Guerra (que, aliás, é ótimo letrista, basta lembrar "Entrudo", sua parceria com Carlinhos Lyra). Já a trilha sonora de "Luzia Homem", também marcante, é de Ednardo, compositor-intérprete cearense, que atua como personagem, fazendo um cantador.
Falando em trilhas sonoras, Antônio Carlos Jobim foi quem criou a música para "A Menina do Lado", um filme sensível de Alberto Salvá, espanhol, 49 anos, desde 1952 radicado no Brasil.
O filme conta a paixão de um jornalista de 45 anos (Reginaldo Faria) por uma menina de 14 anos. No papel da ninfeta, a bela estreante Flávia Monteiro de quem muito vai se falar nos próximos meses.
Enoir Zarzonello, diretor do Festival de Gramado - que veio ao FestRio para a reunião do diretório dos executivos de eventos cinematográficos - já se interessou em que "A Menina do Lado" participe da 16ª edição do festival gaúcho.
Só que Salvá alimenta pretensões maiores: como Norma Benguel ("Pagu") e Bruni Fábio Barreto ("Luzia Homem") quer ver seu filme representando o Brasil em Berlim ou Cannes.
Outro filme bastante musical é o surpreendente "Banana Split", cuja pré-estréia na tarde de terça-feira lotou a Sala Glauber Rocha e como a estrela é Myrian Rios até o "rei" Roberto Carlos e seu parceiro Erasmo Carlos eram aguardados.
A decepcionante versão que Pastor Vega, nome maior da cinematografia cubana, fez da peça "Amor em Campo Minado", de Dias Gomes, abre e termina com "Apesar de Você", da gravação que seu amigo Chico Buarque fez cantando em espanhol. A atriz Ítala Nandi, foi quem montou, no Teatro Dulcina, há 4 anos, esta peça de Dias Gomes que estava proibida desde 1965. Foi ela quem sugeriu a Pastor Veja, há um ano, quando de uma de suas vindas ao Brasil, que fizesse uma montagem da peça em Cuba. Vega fez mais. A filmou com sua esposa, a bonita Daisy Granados, no papel criado por Ítala.
Agora, ele e Ítala estão transando uma co-produção Brasil-Cuba. "Nesta eu vou atuar" diz a atriz gaúcha.
LEGENDA FOTO: "Amor em Campo Minado", de Pastor Veja, com Daysy Granados, Adolfo Llamado e Omar Valces, é o filme que concorre por Cuba.
Tags:
- A Bela Palomeira
- A Menina do Lado
- Alberto Salvá
- Antônio Carlos Jobim
- Apesar de Você
- Banana Split
- Campo Minado
- Carlos Lyra
- Chico Buarque de Hollanda
- Claudia Ohana
- Daisy Granados
- Dias Gomes
- Egberto Gismonti
- Erasmo Carlos
- Fábio Barreto
- Festival de Gramado do Cinema Brasileiro
- FestRio
- Ítala Nandi
- Luiz Carlos Barreto
- Luzia Homem
- Ney Latorraca
- Norma Benguel
- Pastor Vega
- Reginaldo Faria
- Roberto Carlos
- Ruy Guerra
- Sala Glauber Rocha
- Teatro Dulcina
Enviar novo comentário