O Poder & a Glória
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 30 de novembro de 1975
Na gorda edição comemorativa ao 28º aniversário do semanário "O Tibagi", que o grupo Klabin patrocina em Telêmaco Borba, Paulo M. Carneiro, filho do político Guataçara Borba Carneiro, publica um pessoal texto ("O Ex-Tudo", página 6, 2º caderno), que constituiu um belo retrato, em branco - e preto, sobre um homem que marcou (e participou) de uma época de nossa história política.
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Sincero, redigido em estilo inteligente e sensível, o texto de Paulo Carneiro fala de Guataçara, que foi deputado, secretário de Estado, prefeito, promotor, presidente da Assembléia e, por mais de uma vez, assumiu o governo do Estado, quando o titular era Moysés Lupion. Hoje, aos 75 anos, na [tranqüilidade] de sua fazenda Rancho Queimado, Guataçara está totalmente afastado da política, ele que durante anos foi um dos líderes do pessedismo.
Seu filho fala, com visão satírica, dos bajuladores que lotavam a casa de Guataçara em seus dias de poder. "A casa até parecia Congonhas do Campo nos bons tempos de Zé Arigó. Apenas a romaria era outra e outros eram os fins". Havia os que não desgrudavam nunca e só faltavam dormir na casa. Tinha um, que diariamente fazia questão de trazer-lhe um exemplar de "O Globo". Por vota das seis, aparecia ele, sempre bem trajado, com jornal dobrado, debaixo do braço. E, no fim, sobrava o time dos ciumentos, dos que pretendiam ser donos do homem. Isto os fazia importantes aos olhos dos demais".
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O texto "O Ex-Tudo" faz pensar. Mudando os nomes, a coisa continua - pois na roda viva da bajulação o que o cordão dos puxa-sacos esquece é a temporalidade do poder.
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