Um novo talento
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 24 de abril de 1975
Um novo e promissor talento na música popular brasileira: Milton Carlos. E junto com ele, surge uma cantora de rara sensibilidade: Isolda. Produzidos por Marcelo Doram e Sérgio Sá, tem o eu elepê de estréia n a praça ("Samba Quadrado", RCA Victor, 103.0119, fevereiro/75) com vigorosas composições próprias, ao lado de outras músicas marcantes, já conhecidas. Em termos vocais,, o grande destaque desta gravação valorizada com arranjos felizes de Sérgio Sá e Messias St Júnior, é a presença de Isolda na faixa "Amanhã é Outro Dia", sua composição em parceria com Milton Carlos; e na qual se ouve um belo solo de bandoneom a cargo de Ubirajara Silva O maior mérito de Milton Carlos é sua simplicidade e bom gosto. Sabendo valorizar a música popular brasileira, em sua faixa mais autêntica e espontânea, suas músicas são fáceis e gostosas - num trabalho com vários parceiros. Com Isolda, Milton compôs "Eu Juro que te morreria minha" (com uma bela frase iniciando a estrofe: "Quero te ver vestindo a cor do dia / E te ver com essa vida me ensina para viver"), "Jogo de Damas", "Samba Quadrado", "Foi Ela Um Tema de Amor" e "Amanhã é Outro dia". Acumulando a letra e música, "Irônica", tem uma estrutura curiosa, com a repetição desta expressão, exatamente 26 vezes. Nostálgica homenagem a um dos "pontos" da vida música brasileira é "Memórias do Café Nice", de Artúlio Reis e Monalisa, que com Milton Carlos abre o seu disco. Dois belos e marcantes sambas dos anos 50 também mereceram regravação de Milton: "Piston de Gafieira" de Billy Franco e "Se Alguém Telefonar" de Jair Amorim e Alcyr Pires Vermelho. Duas outras duplas de compositores também mereceram chance nesta gravação: Peninha/Dinah Ribeiro ("É mais de Meia Noite") e "Amanheci Chorando por você" (Arthur/Calahad). Há no disco também uma parceria de Martinha/Milton Carlos: "Contrasenso".
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