Artigos por data (1984)
PRIMEIRO ÁLBUM-BRINDE É COM MÚSICA DE BANDA
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 25 de outubro de 1984
Apesar da crise que faz com que todos os empresários de bom senso reduzam suas despesas, o salutar hábito de oferecer brindes culturais de fim-de-ano deverá prosseguir em 1983/84. Desde, que um publicitário criativo e, sobretudo, musical - Marcos Pereira (1931-1981), teve a idéia de substituir os presentes de fim-de-ano de sua agência de publicidade por discos produzidos com artistas brasileiros, a fórmula pegou. Nos últimos anos, não apenas discos, mas livros, álbuns de gravuras e outros presentes dos tempos das vacas-gordas.
Alvorada Nativista (VIII)
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 26 de outubro de 1984
A partir da primeira edição da Califórnia - Canção Nativa de Uruguaiana, há 14 anos passados, a música gaúcha começou a se transformar. Não poderia mais ser erroneamente confundida com a música rural ou mesmo sertaneja, já que há características diversas em cada região. O estilo caipira de parte do Centro Oeste, Interior de São Paulo e Norte/Noroeste do Paraná, difere, completamente, da música regionalista do Rio Grande do Sul.
Alverecer Nativista (IX)
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 27 de outubro de 1984
Consequência direta do revigoramento nativista dos últimos anos, duas revistas especializadas nas raízes da cultura gaúcha vêm circulando. A primeira é a Nativismo fundada por Jorge Lopes e Francisco Souza, com sede em Santa Maria, e que, mesmo sem a periodicidade desejada, já teve seis números lançados. A segunda é a "Tarca", editada por Atanagildo Brandot, Milton Berwian e Juliane Mentz, de Porto Alegre. Ambas têm a cultura regional como tema, enfocando, de forma criativa e comunicativa, os diversos aspectos da música, dança, teatro, literatura etc.
A Arte de Proença
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
Aos poucos os grandes [virtuosos] do teclado vão mostrando também tino empresarial. João Carlos Martins, que vem gravando em Nova Iorque a obra completa para piano de Bach (editada no Brasil pela Ariola), durante os anos em que, devido a um acidente nas mãos, teve que interromper sua carreira, foi um bem sucedido executivo de uma das maiores organizações econômicas em São Paulo.
Menudo marketing
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
O Menudo, grupo formado por cinco garotos porto-riquenhos, estourou com grande sucesso de vendagem nos Estados Unidos e logo foi providenciada a sua vinda para o Brasil. A RCA os tem por contrato e lançou o primeiro disco do quinteto. Entretanto, numa associação com a Sigla/Som Livre, foi providenciada uma gravação de músicas em português, com produção executiva de Edgardo Diaz, que, naturalmente, emplacou boas vendas frente a máquina promocional.
Lupe, em disco e livro
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
Os dez anos da morte de Lupicínio Rodrigues (1914 -1974) não tiveram as comemorações merecidas. A data - 27 de agosto - deveria ter sido lembrada com maior vigor, já que Lupe está entre os melhores compositores populares de todos os tempos. Entretanto, para que não passasse totalmente desapercebido a efeméride, dois lançamentos: um disco ("Grandes Mestres - Lupicínio Rodrigues", Polygram/SBT) e o livro de Mario Goulart, dentro do pacote inaugural da coleção "Esses Gaúchos" (Tchê Editora de Bombacha/Rede Brasil Sul, 102 páginas, Cr$ 5.000,00).
Mores, nome maior do tango
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
Há tempos que não aparecia um bom disco de tango no Brasil. Gênero com um grande público - especialmente na faixa acima dos 40 anos - o tango é pouco explorado pelas gravadoras, num erro de marketing. Felizmente a recente temporada de um dos maiores compositores e instrumentistas da música portenha no Brasil - Mariano Mores (Buenos Aires, 1918) motivou a RGE a lançar um elepê de bom nível.
Iglesias, enfim a América
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
Dom Muñoz, o feliz presidente da CBS brasileira, tem motivos de sobra para sorrir. Num mercado competitivo e cada vez mais difícil para as gravadora, a CBS continua entre as mais lucrativas - e ao lado das galinhas dos ovos-de-ouro (Roberto Carlos, Simone, Turma do Balão Mágico etc.), há projetos culturalmente válidos, como o disco ibérico que Fagner fez com Rafael Alberti/ Paco de Lucia/Mercedes Sosa e os excelentes lançamentos de jazz e clássicos, que Arlindo Coutinho e Meurício Quadrio coordenam com tanta eficiência.
Wes, o inovador da guitarra
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
"Wes Mongomery foi a melhor coisa que aconteceu à guitarra desde Charlie Christian"
(Ralph J. Gleason, crítico de jazz)
A ópera no cinema
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 28 de outubro de 1984
Pavarotti ou Placido Domingos? Qual o melhor?
Alvorecer Nativista (X)
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 30 de outubro de 1984
O movimento nativista gaúcho consolida-se de forma espontânea e autonôma. Embora haja uma natural (e necessária) participação das Prefeituras, basicamente os festivais que se multiplicaram, no Estado, nos últimos seis anos, são resultado de esforços da comunidade.
O trimestre dos festivais
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 31 de outubro de 1984
Espremido entre dois eventos intenacionais, o de São Paulo, iniciado no último dia 15, com uma intensa programação de filmes importantíssimos (muitos dos quais jamais chegarão aos circuitos comerciais) e o I Festival Internacional de Cinema, TV e Vídeo do Rio de Janeiro (Hotel Nacional, 18 a 27 de novembro), ao XVII Festival de Brasília, que a Fundação Cultural do Distrito Federal promoveu na semana passada, não conseguiu a mesma repercussão das edições anteriores.
Alvorecer Nativista (XI)
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 31 de outubro de 1984
Em menos de 15 anos, os festivais se multiplicaram. Ultrapassando fronteiras, os eventos nativistas provocaram a revalorização dos elementos culturais que vinham sendo desprezados pela juventude dos centros urbanos. Os gaúchos voltaram-se para si e descobriram, assim, vastos campos a ocupar, na área musical e literária, principalmente, mas com desdobramentos no artesanato, no teatro e no cinema. Sem falar na indústria de confecções, em restaurantes e boates típicas.
Alvorada Nativista (XII) Quero-Quero, o canto pela maior identidade
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 01 de novembro de 1984
Localizada na chamada região missioneira, distante apenas 96 km das ruínas de São Miguel, que foi a catedral dos Sete Povos das Missões, seria de se imaginar que o Musicanto - Sul-Americano de Nativismo, em Santa Rosa teria participação dos chamados "cantores misseoneros". Entretanto, os dois nomes mais famosos dessa linha - Noel Guarany e Cemair Maicá - não apareceram.
À semiologia gráfica na história de Jaime
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 01 de novembro de 1984
O professor Jayme Antonio Cardoso, do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná, foi um dos mestres paranaenses a estagiar no "Labaratoire de Graphique", em Paris. Em 28 de agosto de 1981, fui o primeiro jornalista a registrar sobre a Semiologia Gráfica que Jayme havia preparado para o Atlas Histórico do Paraná, com textos da professora Cecília Maria Westphalen, editado pela Secretaria da Cultura e Esportes.
Toffler diz a Lerner como será novo livro
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 02 de novembro de 1984
Há algumas semanas, quando de sua discreta (e rapidíssima) passagem pelo Rio de Janeiro, o escritor Alvin Toffler fez questão de reservar uma noite para jantar com o arquiteto Jaime Lerner e o engenheiro Cassio Tanigushi, que já havia conhecido em Nova Iorque, há alguns anos. Admirador do trabalho que Jaime e Cassio desenvolveram em Curitiba, e identificados com a preocupação pelo futuro, o autor de Ä Terceira Onda" e Choque do Futuro" fez questão de aproveitar a visita ao Brasil para conversar com seus amigos curitibanos.
James Stewart, o último herói
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 04 de novembro de 1984
RIO - "A emoção que sinto é tanta que me dá vontade de acariciar seus cabelos brancos e agradecer: muito obrigado por me ter feito aprender a gosta do cinema. Afinal, devo muito, muito, aos filmes em que ele atuou".
Estradas do mineiro Zé
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 04 de novembro de 1984
Estrada é uma palavra muito generosa em termos artísticos. Há mais de 30 anos abrigou toda a filosofia On The Road de Jack Kerouack, que voltou agora a ser moda. Pegar a estrada, no sentido de liberdade, foi o sonho da geração hippie da fase paz e amor. E as estradas continuam abertas aos que procuram seus caminhos...
O cinema através de Paulo Emílio
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 04 de novembro de 1984
A Editora Paz e Terra se voltou já há alguns anos para a publicação de livro ligados ao cinema brasileiro. Assim, em caprichadas edições com orientação de um conselho formado por Jean-Claude Bernardet, Luciano Ramos, Maria Rita Galvão e Raquel Gaeber, a editora de Fernando Gasparian tem lançado bons títulos - abordando diferentes aspectos de nossa realidade cinematográfica.
Especialmente significativo foi a co-edição feita com a Embrafilmes reunindo em dois volumes a "Crítica de Cinema suplemento literário d'Estado de São Paulo de Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977)".
O teatro da esponaneidade
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 04 de novembro de 1984
A bibliografia de teatro, especialmente em termos teóricos, continua escassa no Brasil. É verdade que, nos últimos anos, muitos títulos apareceram, mas, assim como acontece na música e no cinema, numa visão genérica, sente-se ainda nossa magreza especializada, se comparada com as existentes em línguas inglesa e francesa. Por essa razão, adquire especial significado quando uma editora de catálogo esmerado como a Summus lança uma obra da importância de "O Teatro da Espontaneidade", de Jacob Levy Moreno (1892-1974).